xávega
quem trabalha ganha pouco
quando o mar é fêmea
enche-se o saco
de carapau
enchem-se os homens
de esperança
quantas vezes a morrer
breve na lota
onde os compradores
entre cafés e cigarros
aguardam o fruto do suor
para o beberem em copos de bom vinho
também no mar
há quem trabalhe e ganhe pouco
sendo de poucos
a riqueza que o mar dá
um saco em leque
com que se abanam os revendedores
isso é
(praia de mira; companha do fatoco)
barco de mar_ganhar o mar
foi tempo em que os bois. agora são os tractores que trazem e levam o barco pela areia fora.
quando o barco está muito longe do local ideal para sair e os tractores não são suficientemente fortes, são necessários dois para o arrastarem pela areia, como mostra este registo.
no tempo dos bois o barco era sempre arrastado sobre roletes – cilindros de madeira – o que tornava mais fácil o deslizar e menos pesado trabalho das juntas. hoje em dia, os roletes continuam a existir mas são frequentemente utilizados somente para poisar o barco, quando o são.
o arrastar directo do fundo do barco sobre a areia, provoca um desgaste mais rápido deste e a necessidade de o substituir com mais frequência.
nem tudo são vantagens, cada processo tem sempre duas faces.
(torreira, 2007)
torreira_companha do murta 2007
a decoração dos barcos de mar
xávega_os ganchos no arribar (II)
aqui temos um exemplo em que se podem ver os ganchos já presos, mas com as cordas pendentes, a tracção ainda não foi iniciada e a demora fez com que o barco fosse colhido à ré, pela onda seguinte.
vê-se assim a importância da rapidez de execução deste procedimento, sob pena de poderem acontecer situações como esta, mais graves se a onda for maior ou ainda, em casos extremos, o barco dar de bordo.
mais um dia de mar
lentos
corpos cansados caminham
em estranha procissão
que a areia acaricia
até ao estender do saco
a faina não termina
longo foi o dia
rude o mar
que homens são estes
coração de ave marinha
mãos de dar
mais que receber?
imensos
deixam na areia
a ternura
de mais um dia de mar
(torreira; companha do murta)
xávega_os ganchos no arribar (I)
xávega_os ganchos de arribar
os barcos de mar, da pesca de xávega, têm à proa e à ré, fixos nos painéis laterais, dois aros de ferro, chamados arganéis, que servem para prender o barco e puxá-lo para terra, com rapidez, quando arriba.
a tracção é feita pela introdução de dois ganchos, um em cada arganel, que se ligam por corda ao tractor, hoje, às juntas de bois, noutros tempos.
a inserção dos ganchos nos arganéis é feita por dois pescadores experimentados, porque tem de ser rápida e com precisão. não vá o barco rodar e esmagar-lhes as pernas – o que não seria a primeira vez.
a perigosidade do procedimento, pode ser observada pela rapidez com que é executada e pela forma como os executantes correm, fugiondo das proximidades do barco após terem desempenhado a sua tarefa.
(torreira)
ir ao mar
em quase todas as praias onde ainda se pratica a pesca artesanal de xávega, há mais do que uma companha.
o barco larga perpendicular à praia e, no mar, toma uma de duas direcções: ou continua na perpendicular e segue mar adentro, ou abica ao norte e depois vira para o largo, para lançar as redes sem interferir com as outras companhas.
muitas foram, em tempos idos, as guerras por causa da partida, o primeiro a partir largava como queria e, frequentemente interferia, impedindo de partir os barcos de uma ou mais companhas que ficavam a ver onde era largada a rede, para saberem como traçar o rumo. foi, inclusivamente, necessário estabelecimento de regulamentos para a largada dos barcos, isto para evitar “verdadeiras batalhas campais” em que os bordões se transformavam em varapaus.
há ainda a limitação, na época balnear, da área definida pelas autoridades para os banhistas e dentro dos quais as redes não podem entrar.
tudo isto o arrais toma em conta na definição do rumo que vai tomar, considerando ainda o último lanço e os resultados obtidos – regresso ou evito- e eventuais escolhos no fundo que possam romper as redes.
(torreira, companha do murta, 2006)










