crónicas da xávega (512)
dois poemas de “APAGÃO” de gilda nunes barata
os moliceiros têm vela (496)
“ESTRANHOS EM CASA” de elisabete marques
“Nas grandes fábricas …” de rui nunes
postal de abril
“Navegamos à bolina, meu amor … ” de teresa alvarez
postais da ria (446)
JOÃO LUIS BARRETO GUIMARÃES [ Porto 1967 ]

Foto de Nelson Garrido
A amarga ironia das coisas perdidas, pode ser vista na leitura do livro de João Luís Barreto Guimarães «Movimento», Quetzal Editores, 2020. Observamos que a vida cotidiana se desfaz, mas não a levamos a sério. À medida que perdemos cada vez mais nossa capacidade de nos reconhecer nos outros, reduzimos a realidade a uma série de memes com os quais brincamos, mimando uns aos outros a ponto de nem nos reconhecermos em nós mesmos.
O ralo Retiro a tampa de prata do ralo do lavatório e por instantes parece que o ralo aspira tudo (a barba na loiça branca uma semana feita em espuma) logo seguida do ar que me rodeia e enlaça (a expiração exausta de dias irreversíveis) cedo seguida dos sons que trabalham em redor (o eco das vozes de ontem o próprio silêncio cúmplice) tudo isso pelo ralo num torvelinho espiral que suga…
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