postais da ria (90)


“primeiro de agosto
primeiro de inverno”

(ditado da torreira)

chove

chove em agosto, na torreira

chove em agosto
limpam-se as cores
tudo adquire por momentos
uma beleza lavada
onde os olhos se renovam

chove em agosto
e eu esqueço-me
dos insignificantes

estou vivo e isso me basta

só não encontra beleza quem não a procura

só não encontra a beleza quem não a sabe ver

(torreira; marginal da ria;  13/08/2015)

crónicas da xávega (84)


nunca

o peso do saco

o peso do saco

duas faces têm os dias

nunca saberás o peso
do fardo de ser
até te pesar nos ombros
o amargor das palavras
onde amor devia

duas faces têm os dias

verga-se não o corpo
mas o que dentro dele
mais frágil e sensível
é no mar que afogas
a raiva de seres assim

dares a outra face
nunca

pesado fardo, duro caminho

pesado fardo, duro caminho

(torreira; companha do marco; 2014)

os moliceiros têm vela (133)


recuso este futuro

o "cristina e sara", do ti virgílio, espera pela maré para chegar ao cais. 

o “cristina e sara”, do ti virgílio, espera pela maré para chegar ao cais. 

não digo nada
nem bem nada mal
mostro o que vejo

digam-me que não devia
que não é este o postal

não digo nada
nem bem nem mal
mostro o que vejo

tem a força de ser real

lê tu o que eu vi
o que sentes?

eu vejo o futuro
que recuso aceitar

não comento o estado dos portos de abrigo da murtosa, nem os milhões ali gastos com fundos comunitários e nossos. mostro o que vejo

não comento o estado dos portos de abrigo da murtosa, nem os milhões ali gastos com fundos comunitários e nossos. mostro o que vejo

(murtosa; cais do bico; 2 de agosto de 2015)

abraço o futuro


danilo rebelo, 10 anos, homem de moliceiros com vela

danilo rebelo, 10 anos, homem de moliceiros com vela

querem melhor que isto? querem mais paixão?

apoiem-nos com subsídios anuais, não só com discursos inflamados de ocasião

gente grande em tamanho pequeno, numa terra onde há tanta gente pequena em tamanho grande.

de pequenino se torce o pepino, diz o povo e, com boas sementes se fazem boas colheitas, digo eu

aos 10 anos, o danilo rebelo, filho do José Rebelo Moliceiro​, fez parte da tripulação do “SERMAR”, que ficou em 4º lugar na regata do bico, barco de que o pai é proprietário, e aqui está, de taça na mão e um sorriso de vencedor.

com ele vence a ria, vencem todos os moliceiros

quem pode e manda, veja este miúdo e nele o sonho de gerações. custaria tão pouco apoiar “devidamente” os moliceiros….

abraço danilo, abraço zé, abraço futuro

(murtosa; regata do bico; 2015)

os moliceiros têm vela (132)


regata do bico 2015

o

o “zé rito” de pois de passar a meta em primeiro lugar

na regata de hoje, no cais do bico, o vencedor foi o moliceiro “zé rito”.

a lista dos cinco primeiros, conforme pude perceber, perdoem-me se falhar em algo, mas a confusão foi muita:

nome dos barcos

1- zé rito
2- marco silva
3- a. rendeiro
4- sermar
5- manuel vieira

pouco vento, muita força de maré, e a posição da bóia de nascente, deram origem a uma regata difícil para os concorrentes mas de grande beleza para os assistentes.

parabéns a todos os participantes e, em particular, aos 5 primeiros.

participantes, nome dos moliceiros

– o amador
– dos netos
– a. rendeiro
– marco silva
– zé rito
– câmara da murtosa
– manuel vieira
– sermar
– ecomoliceiro
– cristina e sara

cada ano menos

quando o vento apareceu ainda deu para este bordo

quando o vento apareceu ainda deu para este bordo

(murtosa; regata do bico; 2015)

crónicas da xávega (81)


se te apanho

a condução da manga

a condução da manga

deixaste os portugueses atrás
na fuga precipitada para o abismo
empurrado por uma europa
a que só resta um eu no centro
solidário consigo mesmo

deixaste os portugueses atrás
destruíste lares laços afectos
semeaste desespero fome abandonos
encheste os bolsos de alguns
fazendo deles o país não o povo

não me digas que depois de tantos
atrás deixares esquecidos que foram
menos no esbulhar dos haveres parcos
depois de tanto teres feito para tão poucos
a troco de trinta dinheiros embolsados
vigarices muitas falta de princípios basta

não me digas
portugal à frente
que à frente irás tu
tenha o povo memória
saibam as gentes o que querem

portugal à frente
e eu atrás de ti

se te apanho

a mão fechada sobre

a mão fechada sobre

(torreira; companha do marco; 2013)