mulheres da torreira
também as mulheres safam as redes e não precisam de homem ao pé.
a carmo e a fátima (chinchão) safam as redes para a passadeira da marina.
depois virá o homem e arrumará as redes para as largar.
numa terra onde muitas das mulheres têm de carta de marinheiro, até os pescadores podem descansar.
há quem lhes chame “pescadeiras”, eu gosto mais de pescadoras.
mulheres há beira ria nadas, mulheres de mar, MULHERES
(torreira – marina dos pescadores)
era o verão das coisas límpidas
o recreio lá fora
espero-te
eu sei que vens
elas brincam
eu esqueci-me
de como
deixei
as brincadeiras
penduradas dos teus
braços
vejo-te
ainda a sorrir
só eu te vejo
sou só eu a sentir
a boneca que me deste
era de trapos
mas tinha dentro
o teu coração
fico assim como se a olhar
para nada
e tu
tu estás lá dentro
aqui
foto de sofia carvalho (blandisca)
despertar_ eugénio de andrade
todos ajudam
entendes?
chuva na janela
deixa-me ficar assim
como se o tempo
não
como se tu
sempre
como se eu
ainda
o sorriso
o sorriso,
guardo-o para
a primavera
quando trouxeres o
malmequer no cabelo
as searas nos olhos
a maçaroca nos dedos
deixa-me estar assim
deixarei que me olhes
e sejas tu também
por momentos
o eu que vê
ouver manuel bandeira
o piço
o “piço”, pescador ou filho de pescador sem alcunha não existe, safa as redes para a plataforma da marina.
este ano, um fotógrafo, apanhou o piço e uns amigos a apanhar camarão à moda antiga, com um pequeno chinchorro e registou momentos únicos.
até aqui tudo bem.
infelizmente, e já não é o primeiro, fez logo de seguida uma exposição e vá de vender aos pescadores as fotos que tirou, o piço estava numa delas claro.
que fotografem os pescadores e as artes de pesca é de louvar, que depois lhes venham vender as fotos é a roubar.
canons, nikons, ….. não vos chegam.
oh vós que tendes dinheiro para as máquinas, ainda explorais quem dia a dia conquista à ria e ao mar o pão parco que à mesa leva.
como não sou de conversas:
raios vos partam chulos!!!!!!!
(torreira-marina dos pescadores; 2009)




