solheira, o arrumar das redes


joão costeira, o fim da lida

a dança das redes termina.

alada para a ré, safada para a proa, para a praia ou para o cais, regressa à ré para ser largada.

entre um momento e outro mais de 12 horas passaram, um dia de trabalho que, raramente compensa.

o joão, um bom amigo do silêncio, safou para o cais e agora dispõe as redes para nova largada.

(torreira, marina dos pescadores)

xávega – “a arte faz-se espectáculo” por francisco oneto nunes


torreira

 

francisco oneto nunes é antropólogo e  professor do iscte, começou a sua actividade de investigador em vieira de leiria, tendo publicado vários artigos e livros sobre a xávega, de que se destaca ” A arte xávega na Praia da Vieira”, com fotografia de Dora Landau. Inicia-se aí a  sua paixão pela xávega, que desaguou na sua tese de doutoramento.

Com a tese de doutoramento a aguardar publicação, coordenou ainda o livro “Culturas marítimas em Portugal”,  editado pela Âncora em 2008.

É da sua autoria o texto que a seguir se publica

 

A arte faz-se espectáculo – francisco oneto

 

mulher em terra, homem no mar


linda tareca


sou a que fica em terra
à espera dele
que trabalha desde que as pernas
suportam o corpo
até que o corpo as não sinta

sou eu que grito
quando o mar está bravo
e o barco sobe na crista da onda
quando o arrais grita

VAI! VAI! VAI!

sou a que se faz ouvir no nevoeiro
dizendo que a terra é aqui

 

safar as redes, safar a vida


 

salvador e esposa

o salvador é dos poucos, senão o único pescador, que safa as redes para a praia quando a maré está vaza.

a mulher é a sua camarada na tarefa.

para que as redes não se encham de areia põe sempre um oleado na areia e é sobre ele que as redes vão caindo.

(torreira; 2010)