safar as redes, safar a vida


 

salvador e esposa

o salvador é dos poucos, senão o único pescador, que safa as redes para a praia quando a maré está vaza.

a mulher é a sua camarada na tarefa.

para que as redes não se encham de areia põe sempre um oleado na areia e é sobre ele que as redes vão caindo.

(torreira; 2010)

mulheres da torreira


carmo e fátima (chinchão)

também as mulheres safam as redes e não precisam de homem ao pé.

a carmo e a fátima (chinchão) safam as redes para a passadeira da marina.

depois virá o homem e arrumará as redes para as largar.

numa terra onde muitas das mulheres têm de carta de marinheiro, até os pescadores podem descansar.

há quem lhes chame “pescadeiras”, eu gosto mais de pescadoras.

mulheres há beira ria nadas, mulheres de mar, MULHERES

(torreira – marina dos pescadores)

o recreio lá fora


o recreio lá fora

 

espero-te

eu sei que vens

elas brincam

eu esqueci-me

de como

 

deixei

as brincadeiras

penduradas dos teus

braços

 

vejo-te

ainda a sorrir

só eu te vejo

sou só eu a sentir

 

a boneca que me deste

era de trapos

mas tinha dentro

o teu coração

 

fico assim como se a olhar

para nada

e tu

tu estás lá dentro

aqui

 

foto de sofia carvalho (blandisca)

http://www.facebook.com/scarvalho2

chuva na janela


foto de sofia carvalho -http://www.facebook.com/scarvalho2

deixa-me ficar assim

como se o tempo

não

como se tu

sempre

como se eu

ainda

 

o sorriso

o sorriso,

guardo-o para

a primavera

quando trouxeres o

malmequer no cabelo

as searas nos olhos

a maçaroca nos dedos

 

deixa-me estar assim

deixarei que me olhes

e sejas tu também

por momentos

o eu que vê