vagas
espuma
suor
sal
raiva
os homens gritam
as mulheres tapam os olhos
rezam
é agora
vou abaixo
para poder galgar o vazio
subir no ar
e planar enfim no mar
sou barco sim
para quê negar
a dança das redes termina.
alada para a ré, safada para a proa, para a praia ou para o cais, regressa à ré para ser largada.
entre um momento e outro mais de 12 horas passaram, um dia de trabalho que, raramente compensa.
o joão, um bom amigo do silêncio, safou para o cais e agora dispõe as redes para nova largada.
(torreira, marina dos pescadores)
para além do vidro
talvez
uma mensagem passe
palavras onde eu
do avesso
renasça
um beijo de vida
talvez chegue
aos meus olhos
sonhando
sempre
sempre
a menina que sou
ainda
(não sei)
foto de sofia carvalho:
http://www.facebook.com/photo.php?fbid=1662305921097&set=a.1503956722466.2065907.1340696876
francisco oneto nunes é antropólogo e professor do iscte, começou a sua actividade de investigador em vieira de leiria, tendo publicado vários artigos e livros sobre a xávega, de que se destaca ” A arte xávega na Praia da Vieira”, com fotografia de Dora Landau. Inicia-se aí a sua paixão pela xávega, que desaguou na sua tese de doutoramento.
Com a tese de doutoramento a aguardar publicação, coordenou ainda o livro “Culturas marítimas em Portugal”, editado pela Âncora em 2008.
É da sua autoria o texto que a seguir se publica
A arte faz-se espectáculo – francisco oneto
sou a que fica em terra
à espera dele
que trabalha desde que as pernas
suportam o corpo
até que o corpo as não sinta
sou eu que grito
quando o mar está bravo
e o barco sobe na crista da onda
quando o arrais grita
VAI! VAI! VAI!
sou a que se faz ouvir no nevoeiro
dizendo que a terra é aqui