os moliceiros têm vela (579)
a eugénio de andrade
não há palavras
interditas perante o horror
netanyahu assassino
bombas e mísseis
lavraram a terra
que o sangue regou
nos escombros de gaza
um braço nasce
uma perna perdeu-se
desumana lavoura esta
semeadura de mortos
colheita de amputados
netanyahu assassino
não há palavras
interditas perante o horror
(moliceiros; regata do emigrante; cais do bico; murtosa; 2014)
“(Re)Começar” de andrea fernandes
“medo…” de mar becker
“navegamos à bolina meu amor …” de teresa alvarez
a fala dos retratos (180)
“Carta …” de josé manuel barroso
“doze mil seiscentos e dezanove, uma e um quarto” de rui sobral
“tudo velho no ocidente …” de ahcravo gorim
postais da ria (568)
tudo velho no ocidente
cheira-se o sangue
do médio oriente
no corno de áfrica
a vida não vale um corno
a ponta sequer
tudo velho no ocidente
mata-se em áfrica
no médio oriente
dá-me ouro petróleo
metais raros gaz natural
morrer é normal
tudo velho no ocidente
morre-se jovem em áfrica
no médio oriente
não vale um corno
este ocidente
(a mão; o saco de berbigão; torreira; 2015)


