a beleza do sal (199)


plantei uma flor
no mar

o genocídio continua em gaza
o genocídio continua em gaza

na areia a meu lado
os teus olhos
procuraram a flor
sorriram ao vê-la

a guerra continua na ucrânia
a guerra continua na ucrânia

por entre as ondas
deste-me um beijo

a fome e a guerra em áfrica
a fome e a guerra em áfrica

depois acordei
e só me lembro
deste sonho

mediterrâneo é nome de cemitério
mediterrâneo é nome de cemitério

(sal do mar; rer; morraceira; 2016)

crónicas da xávega (589) – bota! 2025


mais um ou menos um

esquece o tempo dividido
nada é novo
tudo é continuação

sim é fácil desejar
difícil é fazer acontecer
por isso desejas

a guerra a fome a miséria
o sangue o terror
que ensopam a terra

são há muito desejo
de que acabem
e continuam continuam

faz da palavra acto
o pouco que vales
valerá mais

por isso não desejes
sê sujeito activo
nos dias a vir

não esqueças
a desumanidade não pára

(xávega; pancada de mar; torreira; 2016)