crónicas da xávega (135)


quisera-me lá

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o arribar do calão do reçoeiro

haver ainda mar
por onde olhos
se perdem

se esvai
a raiva imensa
de saber que homens
lobos de homens

sou areia onde espuma
chega-me o sal aos olhos
navego para longe

quisera-me lá

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o delmar à direita e o ti augusto de boné ao fundo à esquerda

(torreira; companha do marco; 2013)

crónicas da xávega (129)


o meu amigo luciano

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um dos momentos mais arriscados para os pescadores de terra, é o prender dos ganchos nos arganéis do barco, no momento de arribar.

ou quando já com o barco no mar é preciso trazê-lo de novo para terra e esperar por nova oportunidade.

neste registo qualquer uma dessas situações pode estar a acontecer, se o arrais tiver decidido arribar de popa.

tractores, arrais, pescadores de terra e mar, têm de ter em atenção não só as ondas, como a possibilidade de um movimento lateral do barco lhes esmagar as pernas.

o luciano, não grita por medo, grita para orientar o tractor, provavelmente para lhe dizer que está preso o gancho porque é responsável e que puxe o barco para a praia.

 

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(torreira; companha  do marco; 2009).

crónicas da xávega (98)


de como não devia ser

as dificuldades do arribar

as dificuldades do arribar

não sei se te sabes
se sou eu que te não sei
mas é nestes desencontros
que o presente morre
e se assassina o futuro

não me comovem as lágrimas
que não nascem das mãos
escrevo-te pregos e arame
instrumentos cortantes
ferramentas tuas de sangue fazer

o meu tempo é hoje
o teu também o será
mas são dias tão diferentes

a arte está em emendar a mão

a arte está em emendar a mão

(arribar; torreira; companha do marco; 2015)