postais da ria (432)


foi-se o tempo de ganhar o pão
de voar por sobre as águas
ser mais um da família
o  mais novo o mais velho
o camarada silencioso

cortes precisos exigidos
pelas autoridades vigilantes
o assassinato assistido

as bateiras
morrem retalhadas
sem lágrimas de árvore

(abate de uma bateira; torreira; 2012)

postais da ria (399)


águas vivas

outras as artes outras redes
malhas mais finas
prenderam o sonho
o sol uma vida

o testemunho do tempo
o olhar a guardar a memória
onde agora

safam-se os dias
onde algas secas ainda

a paciência é a arte
da sobrevivência

a reinvenção dos dias
é um tempo cheio de tempo
uma navegação em águas
vivas porque revividas

(torreira; safar redes; 2019)