as palavras
morrem nos lábios secos
algures
um pássaro
um rio corre
uma folha cai
no choro de uma criança
a brisa passeia o dia
o silêncio cega
começo a não ver
(murtosa; cais do bico; regata do emigrante; 2009)
português emigrante

partiram de bolsos vazios e o país no coração sonhavam uma vida melhor uma casa a velhice diversa foram dos primeiros e voltaram e no voltarem foram os últimos filhos e netos semearam que outras raízes criaram mais que uma bandeira são um povo orgulhoso das suas origens é uma honra ter entre eles tantos amigos
é tão fácil

venderás o peixe no mercado aos fregueses fiéis comprar-to-ão por comodidade hábito e cansaço às quintas montarás banca na feira venderás coisas várias outros caminharão à tua sombra serás o chefe não o líder nas terras piquenas é tão fácil parecer grande