em louvor das serras


às serras o desejo de verde

(resta-me crescer para a terra)

pedregulhos imensos, borbulhas disformes,

cobrem a terra. a água nasce gelada para a

minha sede. nuvens raras brincam estranhos

jogos. selvagem meio. rude paisagem. é noite.

as trutas aguardam a hora de beijar no espelho

da lagoa as migalhas. ancestralmente os homens

juntam-se em torno do fogo. o fogo cerca a água.

chamados nocturnos oiço. a tenda pequena

junta-nos. o chão duro magoa. os corpos vivos

não morrem.

depois é manhã. o corpo entrego à água,

refrescando o cansaço para melhor morrer.

então cresço para a terra. só as serras crescem

para o céu.