chuva na janela


foto de sofia carvalho -http://www.facebook.com/scarvalho2

deixa-me ficar assim

como se o tempo

não

como se tu

sempre

como se eu

ainda

 

o sorriso

o sorriso,

guardo-o para

a primavera

quando trouxeres o

malmequer no cabelo

as searas nos olhos

a maçaroca nos dedos

 

deixa-me estar assim

deixarei que me olhes

e sejas tu também

por momentos

o eu que vê

 

o piço


 

o piço

o “piço”, pescador ou filho de pescador sem alcunha não existe, safa as redes para a plataforma da marina.

este ano, um fotógrafo, apanhou o piço e uns amigos a apanhar camarão à moda antiga, com um pequeno chinchorro e registou momentos únicos.

até aqui tudo bem.

infelizmente, e já não é o primeiro, fez logo de seguida uma exposição e vá de vender aos pescadores as fotos que tirou, o piço estava numa delas claro.

que fotografem os pescadores e as artes de pesca é de louvar, que depois lhes venham vender as fotos é a roubar.

canons, nikons, ….. não vos chegam.

oh vós que tendes dinheiro para as máquinas, ainda explorais quem dia a dia conquista à ria e ao mar o pão parco que à mesa leva.

como não sou de conversas:

raios vos partam chulos!!!!!!!

(torreira-marina dos pescadores; 2009)

arte solheira – o safar das redes uma outra forma de dança (I)


 

safar redes – carlos padeiro

safa-se as redes a bordo, safa-se as redes para outro barco, safam as redes os homens, safam as mulheres e os mais pequenos.

neste registo o carlos padeiro safa as redes para cima de um moliceiro atracado à marina.

na altura em que o fotografei o carlos teria 14 anos e já alguns de ria e de arte.

é assim na torreira nasce-se com a ria no sangue e o mar no coração