Mês: Dezembro 2010
tão leve a partida?
vou com o vento
com ele cheguei
só há partida se
entendo agora
o que dizem das gaivotas:
não tenho peso
flutuo
todas as praias
são a minha praia
todos os mares
são o meu amar
parto e fico
e reparto-me
no ser assim
por caminhar ainda
onde já muitos
calçaram pantufas
eugénio de andrade_em louvor das gaivotas
deste caminhar pelos olhos
mário_dia de natal
o calinas
olho-te nos olhos
e é como se perguntasse:
que fiz eu ?
aqui
onde a vida começa
com o nascer do sol
o queimar do sal
aqui
envelhece-se mais cedo
nas mãos sulcos rasgados
pelas cordas
que puxam as redes e os barcos
escamas de peixe
salpicam-me o rosto
brincar é escolher sardinha
aguentar a picada do peixe aranha
e não chorar
aqui
cresce-se depressa
a trabalhar o mar
(torreira)
vitor pinho moreira_fiz tb estes versos numa noite de natal
solheira_o largar (2)
lentamente as redes vão deslizando para o interior da ria, em busca de peixe.
o silêncio pode-se ouvir e, como no meio do mar quando o barco da xávega lança o saco, estamos noutro mundo.
os olhos controlam a direcção do barco que deve seguir uma linha paralela à margem e no sentido norte/sul, ou como dizem os pescadores da ria, baixo/cima.
de tempos a tempos um pequeno toque no motor faz com que a bateira retome a direcção certa e não conflitue com as outras redes. é uma relação de solidariedade efectiva a que se encontra estabelecida entre os pescadores.
durante cerca de meia hora a rede desliza e os olhos lavam-se na limpidez da ria, enquanto o cérebro navega noutras terras.
a sensação de plenitude e liberdade é imensa.
assim a ria e suas artes
(ria de aveiro_torreira)
helder pacheco_a chegada
o jardim
sempre pensei que
um jardim de flores
feito seria
coisas pequenas
salpicando a terra de
cores
e os meu olhos de
alegria
sempre pensei que
assim
seria
e nos teus olhos
todos os dias um jardim
para mim sorria
chegou o dia
foto de sofia carvalho
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