popola


 

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popola; 2010

nunca lhe soube o nome e há anos que o conheço.
é um coração de criança num corpo de homem. um amigos do seus amigos, mas primeiro dos seus sobrinhos.

braço de trabalho e capaz de ir a todas: ao mar, ao alar, ao aparelhar, ao escolher peixe; todas faz sempre com um sorriso nos lábios e, se puder uma pose para a fotografia.

neste registo está lavar-se com água do mar depois de se ter enchido de escamas a escolher peixe.

(torreira_companha do murta_2010)

(memória de milfontes nos anos 80)


                                                     figueira da foz; 2007

queremos estar vivos hoje

recusamos grilhetas antigas de senhores que já matámos

recusamos prender estas bocas

eu queremos transbordantes de música

queremos estar vivos hoje

lançar braços sobre o silêncio

rasgar a solidão que cerca de arame farpado

os corações amortalhados nas grandes metrópoles

queremos estar vivos hoje

dizer esta alegria por dentro de nós

derrubar muros e barreiras de línguas e nações

somos todos a mesma gargalhada

e ousamos querer tudo que a tudo temos direito

queremos estar vivos hoje

que ninguém nos venha dizer por onde devemos ir

porque hoje

hoje nós sabemos  que queremos

os caminhos por onde seguir

queremos estar vivos hoje

gritar raivas antigas alegrias novas

pontes que construímos para o amanhã

que hoje queremos nosso

porque hoje

hoje

queremos estar vivos sempre

                                                         amor à beira mar; 2007

zé monteiro


                                                             zé monteiro; 2010

dono da companha da barca de mar s. josé, da praia de mira.

como a grande maioria dos pescadores da xávega – a que localmente chamam “artes” -, foi homem da pesca do alto, faz muitas campanhas de bacalhau e, depois de reformado, dedicou-se à arte que o viu nascer

(praia de mira)