aos vencedores anónimos


um homem novo

ninguém pode desconhecer que a droga mais consumida, legal e mortífera, em portugal, é o álcool.

o seu consumo em excesso é uma das principais causas de morte no nosso país, quer directa, quer indirectamente.

as comunidades rurais e piscatórias são das mais afectadas por este flagelo. por isso, quando alguém se consegue libertar do seu consumo é uma vitória com uma dimensão muito superior ao que qualquer de nós pode imaginar.

nos últimos anos a torreira tem assistido a vencedores silenciosos na batalha contra o consumo. são homens que conseguiram por vontade própria abandonar totalmente o álcool.

são homens novos, remoçados e sorridentes. estão mais vivos que nunca e são felizes como não se lembram de o ter sido.

a todos aqueles que por este país estão em luta para deixar o consumo, ou já o conseguiram, quero deixar a minha homenagem com o retrato de um grande amigo que hoje aqui publico.

este é um vencedor anónimo, um herói silencioso, sorridente, humilde e sem medalhas, que não as que a si próprio todos os dias apõe.

quando o mar trabalha na torreira_henrique da bóia


henrique da bóia

 

há quanto tempo não sonho ….

afinal o mar não é de vinho
e o ti borras nunca foi à américa

ficámos onde nascemos

lembro-me de
criança ainda
ajudar a minha mãe na escolha do peixe
ver no meu pai
o eu de amanhã

as dunas
eram então o meu esconderijo
agachado no seu ventre espreitava
o futuro

era o mar
que me chamava

à memória de carlos paredes


a paixão da guitarra

(no aniversário da morte de carlos paredes  – 23 de julho)

que palavras
te dizer
agora
que tu já não?

mas tu
és ainda
não o seres
seria não teres sido

do pau de uma vassoura
em caxias
fizeste braço de guitarra
e tocaste
sem som
sem cordas
mas com alma

que palavras
te dizer
sobre pautas
com claves
aguardando as notas
que para ti
hão-de outros
escrever?

a guitarra geme
o homem vibra
os ouvidos choram e riem
por ti carlos

quando os cisnes vogam na laguna


é de norte o vento

é assim quando se realizam as regatas de moliceiros na ria de aveiro.

as mais conhecidas são:

– torreira/aveiro (durante o mês de julho)
– bico (murtosa) em agosto na festa do emigrante
– torreira em setembro pelo s. paio (8 de setembro é dia da festa, mas a regata não tem dia fixo, depende da maré).

nesses dias os barcos, que já não são muitos, surgem dos diferentes embarcadouros, alindados e prontos para mais um reviver efémero.

vêm da murtosa, da bestida, de ilhavo, da torreira…. de toda a ria, onde ainda existem amantes destes barcos que os conservam para estes momentos.

os apoios para estas regatas, já o disse e repito-o, são os dos donos e uma migalhas do turismo de aveiro. a única câmara que apoiava financeiramente a manutenção de um moliceiro era a de ovar, mas até esse barco foi vendido para as viagens turísticas que partem de aveiro – cidade que nada tem a ver com os moliceiros e que os vai castrando para turista consumir.

assim vamos por cá

(torreira, 2010)