mãos de mar (58)


volto já
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falo-te de um tempo
onde os dias se enroscam
preguiçosos e friorentos
sequiosos de sol
 
vai longe o verão
vão longe todos os verões
 
abraço-me e aqueço-me
sou a lágrima sustida nas cordas
dos cílios teimosos
 
amanhã quando acordar
ainda estarei constipado
nada que adoce a amargura
 
vou ver se roubo umas frases
bonitas e com elas fazer de conta
que sou o que gostava de ser
 
volto já
 
(torreira; o arribar do reçoeiro; 2016)

2 thoughts on “mãos de mar (58)

  1. Não é necessário procurares no baú do tempo as palavras para voltares a ser.
    Tu és sempre, ainda que em dias de Outono.
    A amargura que se instalou depois de todos os Verões, é a amargura temporária de quem passa os dias a escrever na areia.
    A busca constante que te deixa ainda mais amargo, é o desmerecimento de ti.
    Afinal tu serás SEMPRE!
    Com um abraço da Amiga

  2. quando escrevo, escrevo-me? digo-me? não sei. sou, naquele momento, aquelas palavras. apenas isso ou mais do que isso? quem lê não escreveu, quem escreveu quase nunca relê. como saber o que ?

    abraço amigo

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