longe muito longe uma gaivota poisou perdido no horizonte o olhar busca-a por entre as ondas longe muito longe uma gaivota voou
(aparelhar; costa de lavos; 2019)
obrigado eugénio
dizer o teu nome dizer tantas vezes a mesma palavra até ela perder o sentido a sua ligação com o nomeado dizer como é doloroso o parto das palavras que ainda não disse ou se disse como as escrevi dizer tanto em tão pouco ser imenso e ínfimo límpido e complexo escrever “com palavras amo” e escutá-las na boca do outro
sentou-se
gostava muito de se sentar e ficar assim a olhar o mar um livro poisado nos braços os olhos pendurados no horizonte como era imensa a janela incomensurável a casa
(nota: reparem na “ferramenta” de aço inox, utilizada para suportar a manga, a conduzir e impedir que roce na areia. na praia da torreira e na de mira, conhecia a técnica do cruzamento dos bordões/estacadões que se fazia para produzir este efeito. inovação meus caros, na xávega inova-se, é bom que se inove porque é sinal de que continua. será que algum dia, alguém ao ver isto vai dizer que já não é xávega? sei lá?)