quando o mar trabalha na torreira_flávia


sou
a que nunca ficou em casa
nunca foi ao mar

sou
a que ajuda a empurrar o barco
a que o espera em terra

sou
a que escolhe o peixe
e entre duas picadas de peixe aranha
se levanta
e nasce na areia um outro rio

sou
a mãe
a mulher
a filha
a viúva

sou
a mulher da arte
que a arte não lembra

(torreira; anos 90)

regata de bateiras à vela – s. paio 2010


gaivotas da ria

por altura do são paio (8 de setembro) realizam-se na torreira 3 tipos de regatas:

– bateiras à vela

– bateiras a remo

– moliceiros

sendo a última a mais conhecida pela beleza dos barcos, as duas primeiras são um outro espectáculo. a regata das bateiras à vela, envolve muito mais barcos que a dos moliceiros, faz com que alguns dias antes as bateiras que estão equipadas com motor, comecem a ser adaptadas para a regata.

setembro ainda vem longe, mas à velocidade a que o tempo passa, não é tarde para começar a pensar em programar uma ida à torreira nesses dias. cá estarei para vos dar as datas de realização.

(torreira, setembro 2010)

quando o mar trabalha_incerto fruto


é este o fruto
que o mar dá

prateadas cores
rebrilhantes ao sol
falam de mar

aguardam o transporte
as caixas

atento o arrais
calcula o lanço

deu
não deu
volto hoje
espero outra maré

é este o fruto
incerto 
que do mar tiro

 (sabes das mãos e dos frutos? lembras-te do eugénio?)

cândida


cândida
ao longe a esperança começa
a nascer
o barco lançou o saco
inicia o regresso

trará a rede peixe ?

do mar o incerto pão
nem sempre mata a fome
paga o esforço o suor as gargantas secas
de tanto gritar

não somos dos que desistem
enquanto houver sol e o mar permita
o barco partirá
sempre
em busca do peixe
do pão que o mar dá

(torreira; séc XX)