o meu poema


esplanada onda do mar_buarcos

um dia
o meu poema vai levantar voo
das folhas brancas

um dia
o meu poema ave vai encontrar-te
na planície da ausência presente
e pousar suavemente
nos teus olhos sequiosos de luz

um dia
o meu poema barco
partirá para os mares de bocas
lábios gretados em busca de palavras

um dia
o meu poema
deixará de ser
meu

a madrasta dos moliceiros


torreira; 2008

torreira; 2008

o lameirense foi, talvez, o moliceiro mais fotografado da ria, quer pela sua beleza, quer pelo belíssimo ancoradouro privativo que lhe construíram.

um ano houve em que a filha de um emigrante nos eua, pintora, se ofereceu para pintar os painéis, ficaram uma maravilha.

pois bem este barco, com a minha sombra nele inscrita, acabou por apodrecer no final do ano passado.
os moliceiros estão acabar na ria e a câmara municipal da murtosa, que se reclama “pátria dos moliceiros”, assiste impávida e serena ao seu desaparecimento. talvez com o intuito de um dia lhes fazer um museu.

somos melhores a cuidar dos mortos do que a manter os vivos.

madrasta dos moliceiros serás, pátria….. deixa-me rir

torreira; 2008

mulheres da praia de mira


carregadora de peixe

                                           praia de mira; carregadora de peixe; 2010

 

na praia de mira os compradores têm mulheres por conta, que tratam do carregamento do peixe para os carros, depois de este ter sido adquirido na lota.

esta é uma delas, infelizmente não lhe sei o nome

(praia de mira)