ti joão reigota (o tranca)
antigo pescador da praia de mira, ainda do tempo dos barcos de 4 remos.
(praia de mira)
um dia
o meu poema vai levantar voo
das folhas brancas
um dia
o meu poema ave vai encontrar-te
na planície da ausência presente
e pousar suavemente
nos teus olhos sequiosos de luz
um dia
o meu poema barco
partirá para os mares de bocas
lábios gretados em busca de palavras
um dia
o meu poema
deixará de ser
meu
o lameirense foi, talvez, o moliceiro mais fotografado da ria, quer pela sua beleza, quer pelo belíssimo ancoradouro privativo que lhe construíram.
um ano houve em que a filha de um emigrante nos eua, pintora, se ofereceu para pintar os painéis, ficaram uma maravilha.
pois bem este barco, com a minha sombra nele inscrita, acabou por apodrecer no final do ano passado.
os moliceiros estão acabar na ria e a câmara municipal da murtosa, que se reclama “pátria dos moliceiros”, assiste impávida e serena ao seu desaparecimento. talvez com o intuito de um dia lhes fazer um museu.
somos melhores a cuidar dos mortos do que a manter os vivos.
madrasta dos moliceiros serás, pátria….. deixa-me rir