safar as redes, safar a vida


 

salvador e esposa

o salvador é dos poucos, senão o único pescador, que safa as redes para a praia quando a maré está vaza.

a mulher é a sua camarada na tarefa.

para que as redes não se encham de areia põe sempre um oleado na areia e é sobre ele que as redes vão caindo.

(torreira; 2010)

o piço


 

o piço

o “piço”, pescador ou filho de pescador sem alcunha não existe, safa as redes para a plataforma da marina.

este ano, um fotógrafo, apanhou o piço e uns amigos a apanhar camarão à moda antiga, com um pequeno chinchorro e registou momentos únicos.

até aqui tudo bem.

infelizmente, e já não é o primeiro, fez logo de seguida uma exposição e vá de vender aos pescadores as fotos que tirou, o piço estava numa delas claro.

que fotografem os pescadores e as artes de pesca é de louvar, que depois lhes venham vender as fotos é a roubar.

canons, nikons, ….. não vos chegam.

oh vós que tendes dinheiro para as máquinas, ainda explorais quem dia a dia conquista à ria e ao mar o pão parco que à mesa leva.

como não sou de conversas:

raios vos partam chulos!!!!!!!

(torreira-marina dos pescadores; 2009)

arte solheira – o safar das redes uma outra forma de dança (I)


 

safar redes – carlos padeiro

safa-se as redes a bordo, safa-se as redes para outro barco, safam as redes os homens, safam as mulheres e os mais pequenos.

neste registo o carlos padeiro safa as redes para cima de um moliceiro atracado à marina.

na altura em que o fotografei o carlos teria 14 anos e já alguns de ria e de arte.

é assim na torreira nasce-se com a ria no sangue e o mar no coração

solheira – o safar das redes ou outra forma de dança


 

o massa a safar

atracada a bateira, vai o pescador descansar.

a madrugada e a manhã foram gastas no largar e no alar.

regressa depois de comer e começa a safar as redes.

uma das formas de safar as redes é dentro da própria bateira, e a
rede passa, por cima de uma vara, da ré para a proa enquanto se vai safando.

a dança que começou na ria para a ré, faz-se agora da ré para a proa.

o massa, em primeiro plano, é um homem de mar e de ria, de força e de trabalho, que canta com tanta alma quanto aquela que põe na faina.

(torreira; marina dos pescadores;2010 )

safar as redes, safar a vida (I)


 

salvador rilho (chalana)

o primeiro safar das redes começa no alar.

então se safam os peixes – chocos, linguados… – e se safam caranguejos, alforrecas e as algas maiores.

metro a metro, rede a rede, andar a andar, a rede vai-se acumulando junto à ré, entre o meio do barco e os pés do pescador.

sente-se que a beirada se aproxima da ria e o barco se torna mas pesado à medida que se ala.

depois, regressa-se à marina dos pescadores e outros dançares a rede fará.

na metade traseira do barco o seu primeiro passo

(torreira; 2010)

o safar das redes na arte solheira (I)


a dança do safar

na arte da solheira o safar é sem dúvida a tarefa mais trabalhosa.

durante alguns registos iremos acompanhar o bailar das redes e como, quando e onde pode ser feito o safar das redes.

olhar é o princípio da descoberta das coisas e do estudo dos processos em que se inserem

(cais do bico; murtosa; 2010)