crónicas da xávega (69)


mulher do mar

albina

albina

estendo os olhos até onde
uma linha divide mar e céu
ou os une e confunde

nela escrevo o meu nome
eu inteira sem erros
mulher mãe companheira

o meu tempo é este
em que haver na mesa pão
amassado com sal

é segredo de mar
arte de arrais
suor da companha

albina

albina

(torreira; companha do marco; 2013)

os moliceiros têm vela (114)


(para uma menina grande
que nunca será daqui)

miragem real

miragem real

preciso de falar de ti

olho e vejo e não vejo
o que vêem os teus olhos
vejo-te e uma lágrima

braços e mãos em movimento
permanente e aleatório
os sons guturais que emites
palavras de uma língua só tua
olhos como se todo o corpo eles

que vês quando olhas?
porque sorris?
que mundo é o teu?

olhas-me olho-te
tenho a certeza do desencontro

todo o tempo cabe num instante

todo o tempo cabe num instante

(torreira; regata s.paio; 2010)