postais da ria (37) – os moliceiros sempre


junho vai longe e os donos dos barcos ainda não receberam os prémios ..... não os matam, mas sufocam-nos

junho vai longe e os donos dos barcos ainda não receberam os prémios ….. não os matam, mas sufocam-nos

será sempre verão
quando maduras as palavras
te falarem de mim

voarei ainda nos braços líquidos
que por entre terra e mar
caminhos meus

dizer de mim o ter sido é
falar de gentes e costumes passados
é dizer-te as raízes de ti

roma não paga a traidores
como queres que eu?

(assinado: moliceiro)

foram os donos dos moliceiros que pagaram o tempo de antena. " ... cantando e rindo/levados, levados sim"

foram os donos dos moliceiros que pagaram os tempos de antena. ” … cantando e rindo/levados, levados sim”

(ria de aveiro; regata da ria, 2014)

do meu amigo Manuel Antão, membro da equipa que ganhou a regata da ria 2014, em 29 de junho, aqui fica um desabafo

” VAMOS nós navegando nas águas calmas da RIA mas por vezes onde essa calma nos traz agonia não é berço nem quadra antes fosse é só para dizer que esta mesmo regata AVEIRO WEEKEND JUNHO 28 / 2014 .TANTA propaganda na RTP canal 1 de televisão no programa do nosso AMIGO FERNANDO MENDES no preço certo aproximadamente uma hora onde falou na RIA DE AVEIRO DOS MOLICEIROS DO HOTEL MOLICEIRO ELE PRÓPRIO ANDAR NOS MOLICEIROS NOS OVOS MOLES DE AVEIRO E QUE AVEIRO ERA A VENEZA DE PORTUGAL enfim uma boa em tudo para a CIDADE DE AVEIRO E TURISMO DE PORTUGAL o pior é que isto foi como já disse em JUNHO e o resto que é o tal DINHEIRO ainda não veio alguns em pintar os barcos gastaram 600 euros ou mais outros partiram o mastro e esta gente que organizou ainda nem uma só palavra nos deram SERÁ QUE ELES JÁ PAGARAM AO NOSSO AMIGO FERNANDO MENDES POR ENGANO ?..”

postais da ria (36)_quanto tempo mil palavras?


escuta sente lê

escuta sente lê

lê a imagem com o vagar
das mil palavras que nela
a sabedoria diz

quanto tempo mil palavras?

ouve-as dizendo-as
sente-as
são a imagem dita por ti
a tua imagem

levo comigo o sonho
de ter visto

quanto tempo mil palavras?

e agora?

e agora?

(ria de aveiro; torreira)

postais da ria (35) – carta aos patrões da pátria


postais da ria (35)

um moliceiros no cais do bico, murtosa, em 2009

um moliceiros no cais do bico, murtosa, em 2009

“A pátria onde Camões morreu de fome e onde todos enchem a barriga de Camões! (José de Almada Negreiros) “

pergunto-vos onde estou
e sei que sabeis que não sabeis
ou se o sabeis não o lamentais

não sei sequer se ainda sou
porque se o for já nada é como vedes
neste fragmento de tempo parado
diante dos olhos de quem para mim
ao ver-me se lembra de o ter sido

se em vida me não destes a mão
ao menos agora quando as forças me faltam
deixai que me recordem como fui

não há muito tempo um cartaz pedia
“não matem os moliceiros”
hoje agora aqui
apenas vos pedimos
“não matem a nossa memória”

(assinado: um moliceiro)

como eu era belo há tão pouco tempo

como eu era belo há tão pouco tempo

(murtosa; bico; 2009)

postais da ria (34)


perdidamente

perdidamente

inventar as cores e as coisas
despovoar a paisagem
como se tudo já tivesse sido
para voltar a ser de modo diverso
recriar recreando

a luz e a sombra
o doirado que semeio
a prata lançada sobre as águas
o rebrilhar da criação
o fazer

dentro do tempo um homem sorri
é uma criança traquinas
que nunca cresceu

sou eu

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(ria de aveiro; torreira)

crónicas da xávega (23) – dos homens do mar


agostinho trabalhito e massa

agostinho trabalhito e massa

fizeram a escola sentados
nos bancos de areia rente ao mar
aprenderam cedo a força das ondas
o gume afiado do norte pela madrugada
o salgado sabor dos dias amargos de pouco pão

a escrita que conhecem é sobre água
nem por isso efémera
que de geração em geração
de homem para homem
como se ontem fosse hoje e sempre
o mar é pauta onde ritmos e pausas
são marcados pelas notas das ondas
onde o maestro é o arrais

falo do mar
da música fora dos búzios
dos artistas
das companhas da xávega

bota que chega de palavras

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(torreira; companha do marco; 2011)

postais da ria (33)


o fim está tão próximo quanto a vitória

o fim está tão próximo quanto a vitória

nada dizer

nem todos os dias são
muitos haverá em que
tu sabes
não pode ser
sempre nem nunca

sê no dia em que não
o mesmo que noutro dia qualquer
a razão encontra-la-ás se
razão houver mas
não será por isso

pelo que és
pelo que sonhas
pelo que queres que seja
vai

porque nada é o que

a vitória está tão próxima como o fim

a vitória está tão próxima como o fim

(ria de aveiro; regata da ria, 2014)

como se lágrimas pelo rosto


que dizer destes dias?

que dizer destes dias?

quisera entre as mãos
prender a água
lavar o rosto
como se terra
ávida de vida

gotas de outros rios
correndo pelas nuvens
deste tempo triste
onde mágoas à tona
retornam

quisera
como se lágrimas pelo rosto

mas elas teimam em não cair
o rosto atravessa seco os dias
as mãos agarram o ar vazias

quisera não deixar lágrimas
por herança
de tanto nas mãos as sentir

quisera
como se lágrimas pelo rosto

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(campos de ereira, 2008)