ti miguel bitaolra


ti miguel bitaolra

ti miguel bitaolra

 

era tempo de mar
ti miguel
tempo de ser ainda
tempo de todos os nós
tempo

tempo que passou
no corpo
quantas vezes

era tempo de mar
ti miguel
tempo que não
apagou o sorriso
a amizade

será sempre
tempo de mar
ti miguel
que os amigos
não deixam de o ser

só porque
o tempo
fez das suas

torreira; companha do marco; 2010

falo das aves


falarei ainda das aves
quando te disser
que mais belas não vi

estranhos barcos estes
de tão belos
que meninas mulheres são
desta laguna
onde o mar se aconchega
para ser criança

as palavras não cabem
no esplendor das velas
só o silêncio nelas se acolhe
para ser mais nosso
deslumbrante de tanto

falo ainda das aves
 
amanhã
em bando voarão mais uma vez
até quando?

(regata da ria; 2011)

urge cantar


 

havia

na casa velha

uma janela por onde a lua

 

havia

na casa velha

uma porta por onde o sol

 

havia

na casa velha

alguém que guardava a luz

na cegueira de não deixar ver

 

vieram

da casa velha

com aromas gastos

sabores amargos

bolorentas palavras

 

sinistra gente esta

que aqui chegou com mansos passos

de coelho ditos

 

urge fazer a ouvir

a canção que para outros feita foi

ei-los que partem…”

sorriremos então