as palavras estão vivas
e caminham por si
estamos ainda a tempo
de dizer tudo o que pensamos
deste sonho a percorrer
a loucura começa
quando um homem acaba
de renascer
pelo chão gravetos secos, comidos pelo sol
dizem o verde que houve. as rochas nuas
brilham a sede. o corpo busca na água a vida.
as moscas antecipam a putrefacção. o calor
esmaga no horizonte o azul. tudo é límpido
e simultaneamente vazio de sentido.
então digo: a morte circula nas veias um
sangue coagulado.
(memória de um tempo longe)
lentos
corpos cansados caminham
em estranha procissão
que a areia acaricia
até ao estender do saco
a faina não termina
longo foi o dia
rude o mar
que homens são estes
coração de ave marinha
mãos de dar
mais que receber?
imensos
deixam na areia
a ternura
de mais um dia de mar
(torreira; companha do murta)