do sorriso
solares os dias em que sorris
renascido de um tempo parado
és-me de novo não sei por
quanto tempo mais
sou inteiro por instantes
(ria de aveiro; regata da ria; 2013)
no moliceiro “dos netos”, o ti abílio e o zé rebelo
do sorriso
solares os dias em que sorris
renascido de um tempo parado
és-me de novo não sei por
quanto tempo mais
sou inteiro por instantes
(ria de aveiro; regata da ria; 2013)
no moliceiro “dos netos”, o ti abílio e o zé rebelo
um nós novo
traz-me tudo menos
esse olhar perdido
onde já nada navega
senão o por dentro
de coisa nenhuma
o vazio é um caminho
não o inicies
empresta-me os teus olhos
deixa que os leve até onde
fomos sol e sombra
ombro a ombro os dias galgados
na cumplicidade concebida
de afectos
o vazio é um não lugar
o braço que te abraça
suporta o peso insuportável
dos anos sobre ti
és tu e eu
um nós diverso
em busca de
(ria de aveiro; regata da ria; 2009)
maldigo os chulos
terem os homens
o tamanho dos barcos
unidos na mesma frema
falo da terra e uso
a sua linguagem
palavras inventadas
como tudo o que é
marca de lugar
indescritível o amor
indizível o sentir
olho-os e invejo neles
o serem assim
tão uns dos outros
maldigo os chulos
(murtosa; regata do bico; 2008)
somos nós
o meu país é gente
não uma geografia de sol mar
guardanapo no braço dobrado
mesmo se invisível
servil no serviço
o meu país tem muitos nomes
com título anteposto ou não
desempregados sem abrigo
ordenados em atraso
férias em paraísos longe
casas muitas cavalos bastos
o meu país é de carne e osso
para muitos mais osso que carne
para outros poucos só lombo
o meu país está velho e cansado
ou jovem e emigrado
o meu país são tantos
que dizê-lo numa só palavra
é não saber o que é
o meu país somos nós
(ria de aveiro; torreira)