no dia 23 de maio, um sábado de sol, a livraria alfarrabista miguel carvalho, trouxe até coimbra a leitora/poeta/escritora/editora, maria do rosário pedreira e o escritor/autarca, antónio tavares
para a memória dos dias fez-se o registo do encontro
verão de 2012, numa manhã à sombra do estaleiro do mestre zé rito, na torreira, etelvina almeida conversa com mestre joaquim raimundo.
falamos agora do moliceiro construído,em 2011 pelo mestre raimundo, no seu estaleiro em Lanoka Harbour, New Jersey.
um barco em fibra de vidro, de acordo com os moldes originais, a que deu o nome de “Rei da Ria” e que dotou de inovações que descreve durante a conversa.
o mestre joaquim raimundo mostra como é possível fazer moderno e manter a tradição.
verão de 2012, numa manhã à sombra do estaleiro do mestre zé rito, na torreira, etelvina almeida conversa com mestre joaquim raimundo.
a partir do volume dos “estudos etnográficos” de d. josé de castro, relativo a aveiro, fascículo “moliceiros”, mestre joaquim raimundo fala de barcos – moliceiros, mercantéis, matolas, bichanas, caçadeiras …. – da família, da arte, das gentes e dos tempos, das terras, dos usos…. da vida.
a conversa prolongou-se por largos minutos, estes serão os últimos vídeo desta nova série
verão de 2012, numa manhã à sombra do estaleiro do mestre zé rito, na torreira, etelvina almeida conversa com mestre joaquim raimundo.
a partir do volume dos “estudos etnográficos” de d. josé de castro, relativo a aveiro, fascículo “moliceiros”, mestre joaquim raimundo fala de barcos – moliceiros, mercantéis, matolas, bichanas, caçadeiras …. – da família, da arte, das gentes e dos tempos, das terras, dos usos…. da vida.
a conversa prolongou-se por largos minutos, este será o primeiro vídeo desta nova série
linhagem do mestre joaquim raimundo “novo”, segundo o próprio:
“Mestre Joaquim Maria da Silva Henriques (Murtosa, 1933, conhecido por Joaquim Raimundo “Novo”), New Jersey, U.S.A.
Mestre Joaquim Maria Henriques (pai, Murtosa,1909/2005,conhecido por Joaquim Raimundo “velho”)
Mestre Américo Raimundo (tio, tinha estaleiro no Bico)
Mestre José Maria Henriques (tio, tinha estaleiro em Veiros – Santa Luzia)
Mestre Júlio Raimundo (tio, tinha estaleiro na rua de Sto. Estevao, Murtosa)
Mestre Israel Raimundo (primo, filho de Júlio Raimundo, ficou com o estaleiro do pai em Sto. Estevão.)
Mestre José Luís Henriques (avô)
Mestre Agostinho Raimundo (bisavô)”
(obrigado a natalie serra, irmã mais nova do mestre joaquim raimundo, pela colaboração)
mestre joaquim henriques (raimundo) na torreira, verão de 2012
sejam os registos, que agora se iniciam, um simples e despretensioso contributo para a história de uma família de mestres construtores de barcos.
” biografia de
JOAQUIM HENRIQUES (RAIMUNDO)
No dia 7 de Julho de 1933 nasceu Joaquim Maria Henriques, mais conhecido por Joaquim Raimundo, apelido por que era conhecida esta família de construtores navais durante várias gerações.
Joaquim Henriques continuou a tradição do seu trisavô, bisavô, avô e pai; logo de muito novo aprendeu a arte de construir barcos, usados nas fainas da apanha de moliço e pesca na Ria de Aveiro.
Em 1959 Joaquim Henriques emigrou para os Estados Unidos, mas a paixão de construir barcos foi com ele e cedo começou a trabalhar para um construtor naval. Mais tarde, o seu pai (Mestre Raimundo) também emigrou, em 1960, e começou a trabalhar com ele. Juntos usaram seus vastos conhecimentos que tinham em trabalhar com madeira. Foi aí que aprenderam não só a trabalhar com fibra de vidro, uma inovação na construção de barcos, como também Joaquim Henriques aprendeu as técnicas de desenhador naval, mais tarde usadas para desenhar os seus iates.
Em 1977 concretizou o seu sonho e fundou a sua própria companhia “Henriques Yachts” no estado de Nova Jersey, Estados Unidos. Tal foi o sucesso, que actualmente os iates da marca “Henriques” estão espalhados pelo mundo e são conhecidos nos Estados Unidos pela sua alta qualidade, a mesma fama que tinham os barcos moliceiros feitos na Murtosa pelo seu pai.
No entanto, ainda lhe faltava prestar homenagem à Ria de Aveiro e à Murtosa, terra que ele nunca esqueceu e tanto ama, e decidiu construir um barco moliceiro em fibra de vidro usando os planos e medidas exactas dos barcos que o pai, Mestre Raimundo, construia. Baptizou-o de “O Rei da Ria.” O “bota abaixo”deste barco moliceiro foi um grande evento não só com a presença de entidades americanas mas também portuguesas, entre elas a consulesa de Portugal em Nova Jersey, Dra. Maria Amélia Paiva.
Este lindo barco, “O Rei da Ria”, continua a navegar nas aguas da Barnegat Bay em Nova Jersey, Estados Unidos, orgulhoso pelas suas origens Murtoseiras e sempre admirado pelos americanos que não se cansam de tirar fotografias deste imponente barco com a sua vela ao vento.
um excelente vídeo registado pela “Memória Média”, em que a profª clara sarmento, cuja tese de doutoramento foi, exactamente sobre a pintura dos painéis de moliceiros, elaborando mesmo uma lista de tipos de decorações.
o interior do café sta cruz, em janeiro, de acordo com o calendário de “galveias”
depois, muito depois dos homens, ficam alguns livros, muitas estórias e, por vezes, os nomes e imagens de alguns autores. ser efémero é ser humano, permanecer para além dos dias habitados é deixar obra.
com “galveias”, josé luís peixoto corre o sério risco de continuar a habitar esta coisa chamada vida, muito tempo depois de ter abandonado a casa que o acolheu, que nos acolhe. quando um livro nos dá prazer e trabalho, é um LIVRO. galveias é. o josé luís permanecerá.
fica aqui o registo possível da apresentação em coimbra, no café sta cruz, no dia 17 de outubro, de 2014 e um parágrafo de “galveias”, que me marcou pela beleza, simplicidade e trabalho de sentir que o josé luís consegue escrever assim.
“ANTES, COSTUMAVA GOSTAR DE SETEMBRO. Na sua lembrança, era um mês afável, que tratava os dias com uma cortesia fina, ligeiramente arcaica. Começava mais quente, a tocar em , agosto, e acabava mais fresco, pronto a dar a vez a outubro, sem escândalo, com a natureza preparada, sempre em respeito e lisura.”
José Luís Peixoto, in “Galveias“
clip 1
clip 2
clip 3
clip 4
o interior do café sta cruz, em setembro, de acordo com o calendário de “galveias”