do livro “Epilepsy Dance”
postais da ria (403)
memória de 06/01/2013
a morte do fotógrafo
foi a enterrar hoje em setúbal terra onde nasceu eu também e fotografou com o coração o meu primo zé pinho onde quer que estejas zé regista a eternidade para a eternidade aqui fica uma imagem do mar onde sado morre para renascer imensamente maior assim tu abraço forte guardo o livro de fotos que publicaste os postais de natal que eram fotos tuas guardo-te

” a locomotiva parou no monte…” de ivo machado
“2021 – relatório e contas” de ahcravo gorim
palavras de ahcravo gorim, voz de isabel marcolino
“dai-me senhor … ” de isabel mendes ferreira
2021 – relatório e contas
perdi definitivamente o meu pai(selfie na bilbioteca habitada) não publiquei nenhum livro não ganhei nenhum prémio fui apanhado pela doença de bowen vá consultem o dr. google perdi definitivamente o meu pai não contraí covid ainda já tomei as três doses e observo as regras ganhei resiliência gosto da palavra embora não saiba muito bem o significado está na moda convém usar aumentaram as desilusões morreram alguns amigos li muito fotografei o que pude gravei poetas e juntei umas letras fiz e reforcei amizades os amigos sempre não arranjei mulher mas ganhei uma sogra uma desgraça nunca vem só de resto exames e análises foram bons o meu urologista queria-os para ele as rotinas confirmam que tirando o que está mal o resto está bem estou vivo e continuo a inventar dizer que isto é poesia faz-me rir mas é o melhor remédio e por isso mesmo comparticipado a cem por cento pela adse
“Guarda o esplendor … ” de leonora rosado
“Guarda o esplendor … ” é um inédito de leonora rosa, a publicar no livro ” LÂMINA DE PÓLEN”
CLÁUDIA R. SAMPAIO [ Lisboa 1981 ]
o prazer da poesia
Uma característica essencial da vida emocional desta autora é o seu estado afetivo que é apresentado como a experiência de seu caráter individual. A poesia da Sampaio passa pelas raízes do mal, movendo-se entre certezas alucinadas, invocações afetuosas e relâmpagos de delírio. No entanto, para aqueles curtos circuitos da mente que atropelam o amor e o próprio ser, a escrita pode reverter plenamente a angústia dos dias, opondo-se à heterogeneidade evasiva dos elementos, a possibilidade de abraçar o Tudo, deixando de lado o caos, deixando, por alguns breves momentos, as instâncias da melancolia.

Tu sentado na praça. Entre nós uma enorme quantidade de frio., uma reunião de pombos e dis taxistas de dentadura lunar. Comove-me esta intensa fila para se chegar à ginja como se assim se chegasse à verdade das coisas, aos braços tão curtos da solidão ibérica. Comove-me a velha que sobe as saias…
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a prenda
meticulosamente
começou a despi-la
os dedos prendendo-se
nas pequenas coisas
desabituados de
uma a uma
as peças
dispostas com esmero
na cadeira mais próxima
até que
o corpo surgiu inteiro
e puro
limpo de disfarces
admirou-lhe a perfeição
contemplou-a absorto
durante alguns segundos
tinha conseguido
depois
depois entregou a boneca à filha
para que lhe vestisse o conjunto novo
que a mãe momentaneamente ausente
lhe tinha oferecido pelo natal



(selfie na bilbioteca habitada)
não publiquei nenhum livro
não ganhei nenhum prémio
fui apanhado pela doença de bowen
vá consultem o dr. google
perdi definitivamente o meu pai
não contraí covid ainda
já tomei as três doses e observo as regras
ganhei resiliência gosto da palavra
embora não saiba muito bem
o significado está na moda convém usar
aumentaram as desilusões
morreram alguns amigos
li muito fotografei o que pude
gravei poetas e juntei umas letras
fiz e reforcei amizades os amigos sempre
não arranjei mulher
mas ganhei uma sogra
uma desgraça nunca vem só
de resto exames e análises foram bons
o meu urologista queria-os para ele
as rotinas confirmam que tirando
o que está mal o resto está bem
estou vivo e continuo a inventar
dizer que isto é poesia faz-me rir
mas é o melhor remédio e por isso mesmo
comparticipado a cem por cento pela adse
