o moliceiro é bandeira


à vara ou à vela, são dois dos modos de impulsão mais vulgares do moliceiro
unem-se os homens
dão-se as mãos
fazem-se nós
limpa-se a sombra
renasce-se

o moliceiro
é bandeira
amor paixão
modo de vida foi
de memórias pleno
mais que eles
é todos os que antes o foram

uniram-se os homens
cuidem-se os que
ti zé rebeço, um homem da ria, a ria feita homem

regata 2012_os rostos da indignação


abílio carteirista ( antigo moliceiro)

manuel valente
(descendente de moliceiros, e antigo moliceiro)

josé rito
(antigo moliceiro, descendente de moliceiros, actualmente mestre construtor de moliceiros e barcos tradicionais da ria de aveiro)

josé rebeço
(o mais antigo moliceiro da murtosa)

josé manuel oliveira
(descendente de moliceiros, é o único pintor de barcos moliceiros)

 

foram estes os homens que, perante os órgãos de comunicação social, assumiram a indignação dos moliceiros, quando souberam do cancelamento da regata de moliceiros torreira/aveiro 2012

todos os contactos necessários à divulgação do desalento destes homens ficou a dever-se a etelvina almeida, estudiosa e verdadeira amante dos barcos tradicionais da ria de aveiro.

para ela um abraço de todos os puderam exprimir a sua indignação aos meios de comunicação e dar a conhecer a triste realidade com que foram confrontados.

embarcações tradicionais do estuário do tejo


Associação Naval Sarilhense (ANS)


A ANS comemora, em 2012, o seu 25.º Aniversário. São 25 anos de trabalho em prol da preservação e valorização das embarcações tradicionais do Estuário do Tejo e da cultura ribeirinha que lhe está intrínseca.
Para comemorar este 25.º Aniversário, a ANS irá publicar o Livro “Embarcações Tradicionais do Estuário do Tejo: Contributos para a compreensão da sua evolução funcional”, da autoria de André Fernandes e Mário Pinto. Uma publicação que analisa, ao longo de seis capítulos, a importância do papel desempenhado por estas embarcações no transporte fluvial de mercadorias, esboçando ainda uma síntese interpretativa do processo de formulação destas embarcações como construtos culturais, na sequência da sua obsolescência funcional.

Com efeito, tem a Direcção da ANS a honra de convidá-lo(a) para a Sessão de Apresentação desta obra (cujo Convite se junta em Anexo), que terá lugar no dia 14 de Julho (Sábado), pelas 10h30, no Auditório da Biblioteca Municipal Bento de Jesus Caraça (Moita). A entrada na Sessão é Livre.


Mário Pinto
Presidente da Direcção da Associação Naval Sarilhense

moliceiros em extinção_sic_2009


moliceiro em construção no estaleiro velho do mestre zé rito

http://videos.sapo.pt/AbMEzvCvnndZYrtrciyg

daí para cá, de nada serviu este alerta e este ano (2012), a tradicional regata torreira/aveiro foi cancelada.

seria bom apurar as responsabilidades deste cancelamento, uma vez que o orçamento REAL, cerca de 8.000 euros, não é justificação.

será que houve orçamentos surreais? será que houve conhecimento do cancelamento e não comunicação aos moliceiros?

é tempo de verdade

pergunta estúpida?


escuta
ouves o rumor das águas
o quebrar das ondas
no casco
as velas pandas batendo
de tanto vento

o vento sopra do norte
o barco voa
a meta está próxima
chega em primeiro
ganhou a regata
 
depois
depois houve que o vender
os apoios não chegavam
para o manter
 
depois
depois não querem que haja regatas
 
é esta a história
de como os moliceiros
por falta de apoio
vão desaparecendo
 
por vezes pergunto-me
porque é que no brasil em vez
de casas tradicionais portuguesas
não construíram moliceiros

(regata da ria; 2010)

estranha forma de pensar cultura


o vento
o norte pai dos dias quentes
da costa ocidental
nesse dia
não se fez sentir

lentos os barcos
sulcaram a ria
sem pressas de tempo
como se dele não soubessem

horas muitas
quase noite
quando a aveiro chegaram
mal sabiam então
que no ano seguinte
seria noite
logo pela manhã

e a regata
a regata
seria negra

que este é um país
onde se enterram os vivos
por ser mais fácil
cuidar dos mortos

chamam-lhe alguns
cultura

(regata da ria; 2011)

em 2012 a regata seria cancelada “por falta de verbas”