é tudo muito difuso


onde, tu?

é tudo muito difuso
estás e não estás
infinitamente pequeno
o seres
nestes movimentos parados
no tempo

luzes, árvores, grades
feéricos instantes retirados
do interior da memória

sobre os carris
o comboio espera o momento de
há uma máquina porém
que não pára
pensas sempre
vício de estar ainda vivo

é tudo muito difuso
tu próprio começas a desconhecer-te
não penses, não fales
existe e caminha em direcção
ao ser

 

(estação de caminho de ferro de coimbra a)

A IMPORTÂNCIA DA REABILITAÇÃO DA ALDEIA DO PATACÃO


FOLHA INFORMATIVA Nº02-2012

(reprodução da newsletter)

Decorrem os trabalhos de limpeza da aldeia Avieira do Patacão, em Alpiarça, dinamizados pela AIDIA – Associação Independente para o Desenvolvimento Integrado de Alpiarça. Os trabalhos decorrem há cerca de dois anos, envolvendo sempre cidadãos voluntários. No ano de 2010 foram lá oferecidos 80 dias de trabalho-homem e no ano de 2011 foram oferecidos 70 dias de trabalho-homem, o que perfaz até hoje 150 dias de trabalho voluntário para limpar a aldeia histórica e o próprio Patacão. A Câmara Municipal de Alpiarça cedeu maquinaria, sem a qual os trabalhos não se teriam desenvolvido tão rapidamente.

A aldeia começa a mostrar a sua face limpa, porque num sábado em cada mês estas pessoas prescindiram do seu descanso para cumprirem com uma missão cívica e cultural. Por lá vão continuar, um sábado de cada mês, até que a aldeia esteja completamente limpa.

No dia 17 de Dezembro de 2011, cumpriu-se mais um sábado de trabalho voluntário. Conseguiu-se juntar nove pessoas para continuar a limpar a aldeia abandonada, e alagar a maracha do Tejo. Contou-se com a colaboração dos bombeiros municipais de Alpiarça, que vieram assistir a uma queimada controlada dos resíduos de vegetação que praticamente “engoliu” a aldeia e que agora houve que remover integralmente, o que ocorreu neste dia.

Aproveitou-se o dia também para alagar, ou tombar, salgueiros na maracha do rio Tejo – na zona do Patacão – como forma de proteger as margens da erosão das cheias e defender as terras da lezíria ribatejana.

Dos voluntários, quatro eram pescadores Avieiros. Aproveitámos a sua presença para os entrevistar. Os seus testemunhos de vida e de trabalho deram origem à presente Folha Informativa.

 O Gabinete de Coordenação

(Projecto de candidatura da cultura Avieira a património nacional imaterial e da Unesco)

 
Cultura Avieira – Um património, uma identidade

Entrevista com Avieiros 111217[1]

quando o mar trabalha na torreira_homenagem aos bois


o homem ao centro é o manel franciscão

 

história já somos
desta arte

máquinas de músculos
feitas
aqui fizemos diferentes
lavrares

barcos e redes
foram nossos arados
alfaias outras
destes lugares

corremos na areia
entrámos pelo mar
senhores nunca fomos
que doutros era o poder
o mandar

éramos da arte
o diverso
que na memória ficou

 

(torreira; século XX)

e beijaram-se


bateira de caranguejo_chegado
deram-se as mãos
e caminharam
estava sol
por dentro também
há quanto tempo? 

pela estreita entrada
que a maré deixou
o pescador guia o barco
em busca do abrigo
do cais, do regresso
ansiado

 

deram-se as mãos
como há muito não
chegados que eram
de outros caminhares
perdidos no tempo

 

a bateira
vem pesada
caranguejo muito
a paga
sempre pouca
a vida cadela

 

deram-se as mãos
e beijaram-se

xávega_o aparelhar


agostinho trabalhito (canhoto)

neste registo é perfeitamente visível a disposição do “reçoeiro”, junto à caixa do motor, que irá sendo “largado” à medida que o barco se afasta da costa.
sequência de “largar” do lanço: reçoeiro, manga do reçoeiro, saco, manga da mão de barca, mão de barca.

 

 

é este o aparelho da xávega

(torreira; companha do murta; 2007)