ressuscitou
ao terceiro dia
iniciou a semana inglesa
(regata do emigrante; cais do bico; murtosa; 2017)
normalmente nunca leio os prefácios e sigo para a obra, quando muito poderei ler se no fim da obra sentir necessidade de mais informação. infelizmente o título do livro, “VOLTA para a tua terra”, fez com que lesse o prefácio, até para perceber o porquê da sua escolha. melhor fora que o não tivesse feito e me tivesse limitado à leitura dos poemas.
tudo o que estiver entre aspas é transcrição integral do prefácio escrito por Manuela Bezerra de Mello, porque os nomes são para ser usados.
os dois grandes defeitos deste prefácio são os habituais : generalização (os portugueses), omissão de informação e empolamento de casos pontuais (outro tipo de generalização)
a construção é perfeita, primeiro o elogio, depois a bofetada. «quem não se sente, não é filho de boa gente», é um ditado antigo e sábio que faz parte da cultura desta gente “valente e altiva”. por isso, enquanto português, e muitos como eu, agradeço os elogios, mas não me revejo no que vem a seguir. talvez as palavras «algum» ou «alguns» sejam estranhas à autora, mas era bom que o não fossem porque todas as generalizações, como já escrevi algures, são fáceis, baratas, mas só dão confusões.
e para suportar esta afirmação cita dois casos : “o estudante universitário cabo-verdiano Giovani dos Santos assassinado por espancamento em Bragança …” e “ a execução do ator Bruno Candé por um ex-combatente da guerra colonial…”. dois casos a que a actualidade soma, infelizmente, mais um. quem transforma dois casos em “crimes … recorrentes” saberá o significado da palavra «recorrente»? – «que se repete com frequência; frequente » (ver Infopédia – Dicionários Porto Editora). preciso de acrescentar mais? não, não são “recorrentes”, são casos excepcionais num país caracterizado pela segurança, em termos genéricos, onde existem bairros mais problemáticos, como em todos os países, e indivíduos que cometem crimes, como em todos os países.
mas Bragança serve ainda a Manuela Bezerra de Mello para escrever o que transcrevo:
muito bem, “você não leu errado” só que não leu a história toda. sobre o que aconteceu em 2003 em Bragança pode ler-se na Wikipédia :
«Mães de Bragança foi um movimento de mulheres portuguesas da cidade de Bragança, norte de Portugal, em 2003, com a finalidade de expulsar cerca de 300 prostitutas brasileiras que repentinamente se instalaram na cidade — cuja população era, na época, inferior a 28 000 habitantes.
movimento surgiu em reação à chegada das brasileiras a Bragança, que se prostituíam ou faziam companhia aos homens, nos bares locais. Sendo muitos desses homens casados e com filhos, as suas esposas organizaram-se num movimento com o fim de expulsar as recém-chegadas que, segundo as portuguesas, ameaçavam acima de tudo o sustento dos seus filhos. O caso ficou conhecido nos média à época, tendo sido matéria de capa da Time — com o título ‘O novo bairro da prostituição europeu’ — o que gerou, na população, o temor de que o nome da cidade ficasse para sempre associado à prostituição.
a mediação do caso levou a polícia a realizar dezenas de rusgas, resultando em 4 casas de alterne encerradas, 6 pessoas condenadas a penas de prisão e dezenas de brasileiras repatriadas por se encontrarem em situação ilegal em Portugal.
para ler na íntegra: https://pt.wikipedia.org/wiki/M%C3%A3es_de_Bragan%C3%A7a »
neste caso a generalização “mulheres brasileiras” tomando como referência o acontecido em Bragança, só ofende as mulheres brasileiras.
mais haveria a dizer, mas o melhor é mesmo ler os poemas que constam da antologia e esperar pelo volume em preparação e que, certamente, valerá pelos poemas. eu vou comprar