falo das aves


falarei ainda das aves
quando te disser
que mais belas não vi

estranhos barcos estes
de tão belos
que meninas mulheres são
desta laguna
onde o mar se aconchega
para ser criança

as palavras não cabem
no esplendor das velas
só o silêncio nelas se acolhe
para ser mais nosso
deslumbrante de tanto

falo ainda das aves
 
amanhã
em bando voarão mais uma vez
até quando?

(regata da ria; 2011)

amo


 

apanha de ameijoa japónica na torreira

 

amo

o meu amor não é porém

explicitado em carícias ou volúpias

acolhidas no seio de palavras

metáforas ou onomatopeias

ansiedades frustrações e quejandos

sentimentos

 

numa linha apenas

encontrar as palavras certas

afiadas prontas a cortar rasgar

desentupir a cegueira de cinzentas

figuras gaspáricas e coélhicas

 

monstros de spielberg

provocatoriamente depositados

em país longínquo dele e tão nosso

para nos impingirem histórias

do maléfico autor fmi/merkel

parceria infalível em qualquer filme de terror

 

amo

a limpidez líquida do suor

que ganhou o pão

assim as minhas palavras