
adormecer assim sem pressas de haver amanhã ignorante de mim deixar por momentos esta coisa de existir é sonho que invento só para te dizer o silêncio que é este não estares estando
(torreira; 2010)
falarei ainda das aves quando te disser que mais belas não vi estranhos barcos estes de tão belos que meninas mulheres são desta laguna onde o mar se aconchega para ser criança as palavras não cabem no esplendor das velas só o silêncio nelas se acolhe para ser mais nosso deslumbrante de tanto falo ainda das aves amanhã em bando voarão mais uma vez até quando?
(regata da ria; 2011)

a mancha estende-se cresce oleosa liberal laranja azul manto cego surdo cobre cobra cala a mancha sabe quer impõe segue até que se agite o mar a engula a onda a raiva o desespero a razão nós
(torreira; 2012)
amo
o meu amor não é porém
explicitado em carícias ou volúpias
acolhidas no seio de palavras
metáforas ou onomatopeias
ansiedades frustrações e quejandos
sentimentos
numa linha apenas
encontrar as palavras certas
afiadas prontas a cortar rasgar
desentupir a cegueira de cinzentas
figuras gaspáricas e coélhicas
monstros de spielberg
provocatoriamente depositados
em país longínquo dele e tão nosso
para nos impingirem histórias
do maléfico autor fmi/merkel
parceria infalível em qualquer filme de terror
amo
a limpidez líquida do suor
que ganhou o pão
assim as minhas palavras