estranho país este onde quem não dá recebe e quem se empenha se empenha se empenha se empenha se chama povo
painel da ré do moliceiro do ti zé rebeço, pintado para a regata de 2012

sorriso aberto alegria estampada no rosto chama-me à parte palavras poucas já tenho tudo o que sempre quis depois de toda a vida numa barraca sem condições poder ir para uma casa a tal se resume o que sempre quis é este o meu país
(alfredo amaral; torreira; 2009)
um urso de peluche na bica da proa da bateira a coluna sofrida de tanto um sorriso e um abraço enormes pescará ainda enquanto o corpo que outra arte não sabe reparte o amor entre os seus e a ria por vezes queixa-se mas de dores reclama da balança do intermediário do roubo descarado do pão transformado em carros de luxo a democracia ainda não chegou à ria aqui a dita dura é ela que decide o quê quando e por quanto são estes os homens livres aos olhos de quem chega admira a beleza da paisagem regista-a e divulga mas é de lama que se trata aqui anda vem aprender a ria
(torreira; 2008)
"sou feio mas sou moderno" alfredo amaral
aqui te digo amigo que me orgulho de te ter como saber a tua história o que foste o que és de pequenino aos pés da tua mãe a ver trabalhar o mar agora já homem a dar duro no pão o mar que ela agora não vê a tua mãe alfredo a ana é agora tua filha onde o mar é teu irmão e pai saber como és mais que tu sabendo-te sorrindo jamais exigindo quem conhecendo-te te poderá dizer não? que todos os filhos sejam como tu sem serem como tu é desejo que fica é palavra que deixo é desejo abraço-te e sorrio porque tu és feio mas és moderno quando há tantos modernos horrorosos
(torreira; 2011)
vejo-me ainda no olhar o outro nas palavras nos silêncios descubro-me e descubro escuto-me ouvindo eu sou já o cresci em mim ao sê-lo também nos que me rodeiam sou com o prazer de me ser não sei de solidão somos muitos em mim seremos ainda quando um não for assim a memória de um tempo para além de
(torreira)