ahcravo
nos teus cabelos
e se …
solheira – o safar das redes ou outra forma de dança
atracada a bateira, vai o pescador descansar.
a madrugada e a manhã foram gastas no largar e no alar.
regressa depois de comer e começa a safar as redes.
uma das formas de safar as redes é dentro da própria bateira, e a
rede passa, por cima de uma vara, da ré para a proa enquanto se vai safando.
a dança que começou na ria para a ré, faz-se agora da ré para a proa.
o massa, em primeiro plano, é um homem de mar e de ria, de força e de trabalho, que canta com tanta alma quanto aquela que põe na faina.
(torreira; marina dos pescadores;2010 )
estou vivo
safar as redes, safar a vida (I)
o primeiro safar das redes começa no alar.
então se safam os peixes – chocos, linguados… – e se safam caranguejos, alforrecas e as algas maiores.
metro a metro, rede a rede, andar a andar, a rede vai-se acumulando junto à ré, entre o meio do barco e os pés do pescador.
sente-se que a beirada se aproxima da ria e o barco se torna mas pesado à medida que se ala.
depois, regressa-se à marina dos pescadores e outros dançares a rede fará.
na metade traseira do barco o seu primeiro passo
(torreira; 2010)
será ainda verão
o safar das redes na arte solheira (I)
na arte da solheira o safar é sem dúvida a tarefa mais trabalhosa.
durante alguns registos iremos acompanhar o bailar das redes e como, quando e onde pode ser feito o safar das redes.
olhar é o princípio da descoberta das coisas e do estudo dos processos em que se inserem
(cais do bico; murtosa; 2010)
poema de áfrica
verão
o verão lateja-me nas veias
o corpo reverbera em vermelho e azul
sinto um aconchego de conchas junto ao pescoço
e apetece-me morrer aqui em pleno agosto
estou cheio de vida
ofereço-te tudo o que o mar pode dar
porque já não sei distinguir entre mim e o mar
são peixes dourados estas mãos que te acariciam o rosto
e de água este corpo que te aguarda em ondas sucessivas
o verão lateja-me nas veias
em cada jarro de vinho bebo
o ritmo pontuado por violas e flautas
madrugada dentro o orvalho humedece o desejo
e caminho ao encontro do sol que me espera sobre a areia
o verão lateja-me nas veias
e agora já posso morrer porque estou cheio de vida



