regata da ria 2016 (conclusão)


obrigado ti abílio, obrigado reinaldo

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o moliceiro “Dos Netos” do ti abílio carteirista

com este apontamento, encerro o ciclo dedicado a algumas meditações sobre as regatas da ria em geral e da de 2016, com maior detalhe.

haja futuro para os moliceiros.

não podia deixar de abraçar aqui um moliceiro em particular: o meu amigo ti abílio carteirista, decano da regata – fará 80 anos este ano e está aí para as curvas.

depois de receber, como todos os moliceiros que participaram na regata, a medalha a que tinha direito, o ti abílio veio direito a mim – eu não tinha almoçado com eles – e ofereceu-me a medalha que era dele. de imediato o reinaldo belo, que conheci nesta regata, me ofereceu a dele também.

tudo decorreu sem espaventos, com simples troca de abraços entre amigos.

mas quero dizer-lhe, ti abílio, e a si também, reinaldo belo, que não tenho palavras para o vosso gesto.

por mais distinções que tenha tido ao longo da vida, nenhuma é maior e mais valiosa que estas ENORMES medalhas que guardarei comigo.

bem hajam os dois

em agosto, no bico, lá estaremos

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na regata são permitidos 3 tripulantes por barco, ao ti abílio, a fazer 80 anos, basto ele e mais um

(ria de aveiro; regata da ria; 2016)

regata da ria 2016 (9)


pensar o futuro apoiando os moliceiros

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nas velas dos moliceiros a memória de um povo

como já escrevi em publicação anterior, dos cerca de 17.000 euros que anualmente a comunidade intermunicipal da região de aveiro (CIRA) afecta à realização da regata da ria, por vezes nem 50% chega às mãos dos moliceiros – fica na organização.

não questiono porque é que a câmara municipal da murtosa pode organizar duas regatas por ano, sem precisar da intermediação de uma organização, seja de que tipo for, e a CIRA não o pode fazer; não questiono porque é que não o podendo fazer, não delega a sua organização na câmara da murtosa, que tem experiência suficiente nesta área.

não questionando nada disto e pensando somente na boa gestão do dinheiro de todos nós e na sua entrega a quem o merece, há que pensar em alternativas que, não aumentando significativamente, ou mesmo nada, façam com que a verba proveniente da CIRA e destinada aos moliceiros seja bem gerida.

uma primeira hipótese, e já a propus em sede própria, seria a atribuição de um apoio anual por cada barco, com condições a definir.

outra hipótese, e hoje inclino-me mais para esta, seria a realização de uma regata de competição, no terceiro domingo de agosto.

porquê esta data? em princípios de julho há a tradicional regata da ria, na primeira semana de agosto a regata do emigrante -no cais do bico – e na primeira semana de setembro a do s. paio, na torreira. assim na terceira semana de agosto, época alta, uma regata de competição animaria mais uma vez a ria.

para a regata de competição que proponho, e para efeitos de cálculo de custos, parti do seguinte cenário, optimista, em 2017:

classe A – 9 moliceiros (mais 1 que em 2016)

classe B – 3 moliceiros (os mesmos de 2016)

verba para a organização das duas regatas: 2.000 euros

financiamento garantido :

transferência de 17.000 euros (números redondos) da CIRA. não haverá possibilidade de angariar outros apoios financeiros junto de entidades privadas ou mesmo públicas?

a minha proposta é então a seguinte:

regata de competição

prémios

classe A : 1º- 1.000 euros; 2º – 900 euros; 3º- 800 euros; 4º – 700 euros; 5º – 600 euros; 6º ao 9 º – 500 euros

classe B – 1 º – 500 euros; 2º – 400 euros; 3º- 300 euros

valor total dos prémios: 7.200 euros

a regata da ria, tradicional, com este número de barcos e tendo como referência os valores de 2016, transferiria para os moliceiros, mais 700 euros – mais 1 moliceiro da classe A – ou seja, 9.700 euros.

valor total a ser entregue aos moliceiros nas duas regatas: 16.900 euros

valor, razoável, a atribuir à organização : 2.000 euros

valor total: 18.900 euros

ou seja, com mais 2.000 euros, do que o normalmente afectado pela CIRA à regata da ria, faz-se mais uma regata e distribui-se pelos moliceiros o que que lhes é devido; dá-se uma verba que é, na minha opinião, suficiente e deixa margem à organização, e anima-se em pleno agosto a ria de aveiro.

a proposta aqui fica. será difícil conseguir os 2.000 euros a mais? por 2.000 euros não haverá quem organize as duas regatas?

quem não quer mais uma regata de moliceiros em pleno agosto?

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haja quem queira, que há quem faça as velas povoarem a ria

(vela de moliceiro)

regata da ria 2016 (8)


das pequenas coisas e dos sinais

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qualquer um de nós, quando nos dão a ler um contrato ou um outro documento, procura logo as letras pequenas – por vezes no fim da página, da última página de preferência. é que todos sabemos que aquelas letrinhas, tão bem arrumadinhas e às vezes difíceis de ler é que nos podem “tramar” um dia.

um exemplo diferente de detalhe errado, foi a publicação no meu blog e no face, da receita da caldeirada de enguias à murtoseira. para a ilustrar servi-me de uma foto tirada a uma caldeirada, feita nas margens da ria por um pescador da torreira, que as tinha apanhado à chincha com uns amigos. por azar a caldeirada feita por ele e, segundo me disse, já ganhadora de prémios, levava pimentos, que apareciam na fotografia. ao publicar o artigo, com a receita correcta, herdada dos meus tios avós, não reparei neste detalhe, mas houve logo, peritos em culinária que reclamaram, e bem, do facto de a receita da caldeirada à murtoseira não levar pimentos e eles aparecerem na fotografia. é assim, um pequeno detalhe e …. a fotografia está lá a eternizar o erro ou a correcção. (ver publicação : https://ahcravo.com/2013/02/25/caldeirada-de-enguias-a-murtoseira/)

dir-vos-ia ainda que em fotografia, como em história, só vê bem ao longe, quem vê bem ao perto.

posto isto, era exactamente das pequenas coisas que eu queria falar, para quase acabar esta série de crónicas sobre a regata da ria 2016.

do que vi e ouvi:

o kite surf esteve lá mas incomodou pouco

o kite surf durou pouco e não perturbou

o “Manuel Vieira” foi um dos dois barcos pintados de novo e não teve prémio de pintura

a câmara cedeu uma pequena carrinha para trazer de aveiro os moliceiros que não tinham transporte (mas, azar dos diabos, tinha aquele símbolo de transporte de deficientes)

os kite surfistas tiveram direito a uma camioneta das grandes

são tudo sinais que podem ser pequenos, mas que deixam marca.

o kite entrou na regata de mansinho, mas entrou. e de futuro como será? não vos preocupa? é um desporto radical que pode trazer muita gente à ria, é bem vindo mas …. “a cena é outra”.

porque é que no cartaz da regata da ria o kite surf aparece com letra pequena e na página do município da murtosa, não é destacado como a regata? será estranho, ou letras pequenas no cartaz bastavam?

o júri dos painéis, como foi salientado pelo presidente da câmara de aveiro, não percebia nada de pinturas, não eram artistas, eram autarcas. tudo bem. mas deviam saber quais os eram os barcos que foram pintados de novo e qual era o espírito que levou a que se fizesse a regata da ria: “pintar os painéis”. será que o ti manel valas que pintou de novo os painéis do barco e não recebeu prémio, ficou com vontade de voltar a repetir o investimento?

no meio disto tudo até dou de barato algumas das notas que fiz acima, a regata correu bem, toda a gente gostou, eu fiquei a conhecer melhor alguns “amigos”, gostei que amigos virtuais se tornassem reais e de ver muita gente a fotografar a regata.

para o ano, se cá estiver, espero que muito do que disse até este quase ponto final, seja dito por outros, por gente da terra e que aqui vive, não seja sequer necessário ou que tudo vá bem no reino da dinamarca.

marcou-me nestes dias uma frase: EU DOU-ME BEM COM ELES PORQUE FAÇO TUDO O QUE ELES MANDAM

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regata da ria 2016 (7)


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cavilha de madeira no casco de um moliceiro

vamos às contas (para que fique escrito)

…………….
“…. 16,930€ acordados para a regata de 2015, …… valores similares pagos aos moliceiros, quer em 2013, quer em 2014, rondando os 50.000€….. “

(extracto de um documento que tenho em minha posse)
………….
sublinho a afirmação “valores similares pagos aos moliceiros”, afinal os moliceiros não têm razão de queixa, ou será que há aqui alguma confusão.

melhor seria aclararmos um facto: há os valores pagos aos moliceiros e os valores entregues à organização da regata da ria.

separemos os valores.

partindo de informações que obtive junto dos moliceiros concorrentes e somando:

pagamentos aos moliceiros

2014 – prémios de presença: 6.000 euros; prémios de painéis: 1.000 euros; prémios de regata: 550 euros. EM 2014 OS MOLICEIROS SÓ RECEBERAM 7.550 EUROS!!!

2015 – prémios de presença: 6.000 euros; prémios de painéis: 1.000 euros; prémios de regata: 600 euros, prémio tradição: 800 euros. EM 2015 OS MOLICEIROS SÓ RECEBERAM 8.300 EUROS!!!

2016 – prémios de presença: 6.600 euros; prémios de painéis: 1.000 euros; prémios de regata: 600 euros, prémio tradição: 800 euros. EM 2016 OS MOLICEIROS SÓ RECEBERAM 9.000 EUROS!!!

pagamentos à organização

de acordo com o documento citado no início, foram perto de 17.000 euros ano, podemos partir de princípio, até prova em contrário, que em 2016 o valor terá sido o mesmo.

fazendo umas fáceis contas de subtrair, pode-se ver com quanto poderá ter ficado a organização da regata em cada ano: 2014 – cerca de 9.500 euros; 2015 – cerca de 8.700 euros; 2016 – cerca de 8.000 euros

para receber tanto dinheiro, a organização deve ter encargos muito grandes com a regata, não acham? mas encargos com quê?
2 almoços (para os concorrentes)
seguros
licenças
medalhas e taças
outras despesas

será que alguém acha que estes encargos chegam perto de 1.000 euros? e mesmo se chegarem a 2.000, um absurdo, ainda fica muito dinheiro. façam vocês as contas que eu não sou capaz, não é uma questão de matemática, é de princípios.

QUEM É QUE QUER CONCORRER À ORGANIZAÇÃO DE UMA REGATA DA RIA? SÃO VALORES INTERESSANTES QUE FAZEM SEMPRE FALTA A GENTE DESINTERESSADA.

(desculpem, esqueci-me de uma coisa, se calhar não é por concurso, estou cada vez mais cego)

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regata da ria 2016 (6)


parabéns zé rito, bravo maria emília prado e castro

classificação da prova de pintura de painéis:

1º Zé Rito

2º Marco Silva

3º O Amador

4º A. Rendeiro

5º Sermar

no final da decisão do júri, foi entregue pela organização a totalidade do valor devido aos donos dos moliceiros, pela participação e competição ( regata e painéis). foi cumprido o prometido.

não houve alteração de valores em relação ao ano passado – eu esperava algo mais, mas quem me manda a mim sonhar? – e na regata só houve prémios monetários até ao 3º classificado, quando o usual era ir até ao quinto.

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maria emília prado e castro a escoar o S. Salvador

 

mas na publicação de hoje, sobre a regata da ria de 2016, queria contar-vos a história de um barco, o S. Salvador.

construído pelo mestre antónio esteves ( pardaleiro) para a junta de freguesia de s. salvador, ílhavo – penso que em torno de 2010 – chegou a participar em algumas regatas, com tripulantes locais.

em 2013, depois de reparado e aparelhado por marco silva, participou na regata da ria e venceu-a, tendo como arrais marco silva.

em 2014, por dificuldades financeiras não participou em qualquer regata e, comprado em hasta pública por miguel matias, só viria a participar na regata da ria 2015.

em 2016, foi vendido por miguel matias a maria emília prado e castro, que lhe botou vela e participou na regata, com o apoio de alfredo rebelo e sérgio silva, garantindo um honroso 5º lugar.

é para ela o meu bravo, à mulher que sentiu que um verdadeiro moliceiro é para ter vela e andar na ria.

bravo, maria emília prado e castro, dona de um moliceiro, que não tem medo de pegar num vertedouro e escoar água do seu barco. uma mulher assim, só pode ser admirada por todos os que amam os moliceiros tradicionais e entendem que a história se faz todos os dias e por cada um de nós.

acho que posso falar por todos os moliceiros se disser de novo:

BRAVO! MARIA EMÍLIA PRADO E CASTRO

(nota, a breve história que aqui apresentei do S. Salvador, poderá ter alguns lapsos de datas, por falta de elementos concretos e atempados, mas não andará muito longe da realidade)

regata da ria 2016 (5)


abraço ti virgílio, parabéns zé rito
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o “cristina e sara” do ti virgílio na regata da ria 2010

depois de ter assistido a mais uma regata da ria, queria saudar aqui o ti VIRGÍLIO, que deixou de participar nas regatas, por ter ficado sem barco, o seu belíssimo “Cristina e Sara”, que não voltaremos a ver.
é dele e do seu barco a foto com que celebro a regata de 2016, a primeira a que assisto sem ele. lembro que quando em 2012, fomos a aveiro em protesto contra o cancelamento da regata, o ti VIRGÍLIO foi um dos poucos moliceiros que participou.
para o ti VIRGÍLIO o meu abraço.
este ano participaram na regata 8 moliceiros da classe A – grandes- e 3 da classe B -pequenos
classificação final:
Classe A
1º Zé Rito
2º A. Rendeiro
3º Marco Silva
4º Manuel Vieira
5º S. Salvador
6º O Amador
7º Dos Netos
8º Câmara Municipal da Murtosa
Classe B
1º Pequenito
2º Sermar
(o Ecomoliceiro – não terminou)
parabéns, zé rito
a regata terminou em aveiro, recebida pelas entidades oficiais habituais, que cumprimentaram e felicitaram todos os concorrentes.
MEUS AMIGOS, NÃO ESTAVA LÁ NENHUMA!!!!!!!!!!!!!!

regata da ria 2016 (4)


pintura geral

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ao mestre construtor, que fez a reparação de manutenção do moliceiro, poderá também competir, dependendo do contratado, a pintura geral da embarcação.

neste registo o mestre zé rito, com o moliceiro virado, dá início à pintura exterior.

com esta foto termina a descrição sumária do “antes da regata”, amanhã é dia dela.

um dia que ficará tristemente para a história, com a associação do kite surf à regata da ria.

para além de lamentável em si mesmo, porque se intromete num evento de cariz tradicional, é mais grave ainda porque apadrinhado pela entidade organizadora da regata – o rancho folclórico camponeses da beira ria -, pelo município da murtosa – quer institucionalmente, quer através do presidente do rancho folclórico que é vereador da câmara – e, espante-se, porque aos moliceiros participantes da regata nada foi dito a este respeito.

mas nesta terra, como dizia um amigo meu, já nem me espanta ver um porco a andar de bicicleta.

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(torreira; 30 de junho, 2016)

os moliceiros têm vela (219)


da memória e das palavras

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o ti zé rebeço

olho para a foto do ti zé rebeço e lembro-me dos meus tempos de canalha e de quando ia comprar leite a casa dos pais dele, mesmo em frente à dos meus.

e a palavra “canalha”, lembra-me outra que o meu tio avô, césar gorim, costumava usar numa frase que amiúde lhe ouvia – “são uns garotos” – e que ainda ouço na boca do ti zé rebeço.

na murtosa, quando as pessoas diziam “canalha”, referiam-se à “miudagem” e quando se usava a palavra “garoto”, era para classificar aqueles que usando calças se julgavam homens e faltavam à palavra dada, aldrabavam, enfim…….

hoje, se digo “garoto” refiro-me a um miúdo, e se digo “canalha” é insulto e toda a gente o sabe.

voltando ao ti zé rebeço e à memória de um tempo, usando as palavras dessa época e da terra, queria dizer:

– cada vez há menos canalha por aí e garotos, infelizmente, ainda continuam a abundar
(torreira; regata da ria; 2011)