ARTE DA XÁVEGA (Gaspar Albino – Boletim Municipal de Aveiro – Ano XIV(1996) – nº 27)


desenho de gaspar albino

ARTE DA XÁVEGA

(Gaspar Albino – Boletim Municipal de Aveiro – Ano XIV(1996) – nº 27)

A arte de xávega, do árabe xabaka*, é um aparelho de pesca de arrasto demersal** que, na nossa costa, é lançada pelo barco de mar. Partindo da praia, desloca-se até à distância consentida pelo aparelho e à praia regressa, iniciando-se, então, o arrasto propriamente dito.

A xávega é, portanto, uma arte envolvente de arrastar pelo fundo e alar para a praia, constando o aparelho, ou arte,  de um saco prolongado por duas asas ou mangas, nos extremos dos quais se amarram os cabos de alagem, ou calas.

É constituído por extenso pano de rede de malha quadrangular, intersectado, ao centro, por um saco do mesmo género; o espaço da intercepção corresponde à boca do saco e designa-se pelo nome de bocada; às duas fracções do pano, que se desenvolvem para cada lado desta, dá-se o nome de mangas, que, desde a junção à bocada, decrescem em largura até à extremidade oposta, que tem o nome de calão, ponta da manga onde se prendem as calas, que são cabos de alagem deste sistema de aparelho de pesca.

  • Segundo José Pedro Machado – “Dicionário etimológico da língua portuguesa” – quer dizer rede
  • O arrasto demersal faz-se com o topo da rede à superfície, podendo ser variável a profundidade do arrasto

Esta é a descrição da arte que nos é dada pelo etnógrafo Domingos José de Castro, na sua obra “Aveiro – Pescadores”, editada pelo Instituto de Alta Cultura, em 1943.

Por essa altura, o saco, de forma trapezoidal, andava pelos 70 metros de circunferência, 40 de profundidade e 8 de largura, na cuada ou fundo do saco. A malhagem era, somente,  de 1 cm, na cuada, até atingir 6,5 cm, na bocada, que era guarnecida na sua parte superior, por uma cortiçada – flutuadores de cortiça – e, na sua parte inferior, era lastrada por tijolos.

Cada uma das mangas tinha 230 metros de comprimento, começando por uma largura de 25 metros, na parte do saco, e decrescendo até 20 metros, no calão. As mangas eram constituídas por panos de fio singelo de malha, que só era dobrada junto à bocada.

Ao longo das mangas, pela parte de cima e por um e outro dos lados, corriam, paralelamente, duas linhas, a uma distância de 35 cm, e guarnecidas com pandas, bocados de cortiça que suspendiam o aparelho a uma altura de água, que nunca deveria exceder a da bocada. Pelo lado de baixo, mais duas linhas guarnecidas de discos de barro cozido – pandulhos ou bolos – lastravam as mangas de forma a que o aparelho arrastasse mesmo pelo fundo. Nas extremidades de cada uma das mangas, eram presos, por uma corda, barris estanques, chamados balizas ou arinques. Um outro barril – o clime – era colocado na coada do saco.

O aparelho era feito, nesses tempos, de fio de linho, que era, depois, posto numa infusão de casca da salgueiro, ficando com uma cor acastanhada, para não assustar o peixe. As mangas, para além do encasque, eram passadas por um banho de alcatrão.

As calas de alar o aparelho podiam ser de linho ou de esparto e eram divididas em rolos, partes que se emendavam umas nas outras. Estes rolos chamavam-se cordas, quando eram singelos, cabos, quando eram dobrados, e olras, quando eram triplos.

O número de rolos que constituíam as calas, variava de praia para praia, podendo ir de 160 rolos de 60 metros cada, até 29 rolos de 99 metros cada.

Isto define que os barcos de mar se poderiam afastar da praia, de 2.800 a 9.600 metros, para lançar o aparelho de pesca.

As calas eram transportadas, do palheiro da praia até ao barco, rolo a rolo, por vários grupos de 2 homens munidos de um bordão, colocado ao ombro.

A rede era levada em procissão pelos tripulantes, colocando-se, no barco, primeiro, a manga inicial, depois, o saco, seguido da segunda manga; por fim, colocava-se a bordo o reçoeiro – isto é, a cala de recolha da arte para terra.

Esta é uma descrição sumária dos elementos físicos que constituíam o aparelho da xávega propriamente dito.

Hoje em dia, as artes da xávega, em esquema, são muito semelhantes às dos tempos recuados, diferindo, somente, nas suas dimensões e nos materiais de que são feitos os aparelhos ou redes. Ao linho sucederam os nylons, os polipropilenos e os polietilenos.

Com efeito as maiores redes da xávega da nossa costa vão, agora, somente, até cerca dos 200 metros. Mas há xávegas mais pequenas que não ultrapassam os 100 metros, se bem que todas mantenham a mesma estrutura básica de outros tempos, quando a arte propriamente dita chegava a ultrapassar os 300 metros.

Não há enquadramento legal da arte da xávega, que hoje se usa.

O Barco de Mar ou o Xávega

Fácil se torna entender que a arte da pesca empreste o seu nome ao barco que com ela se exercita.

Com efeito, assim acontece no caso do barco de mar, que é utilizado na xávega, na nossa costa ocidental atlântica, desde Espinho até Vieira de Leiria, ao qual os pescadores chamam, tão simplesmente, de o xávega.

Domingos José de Castro na obra que já citámos no início ……….. define o barco de mar como “ aparentemente desprovido de solidez /…/, de bicas exageradamente alteadas /…/, mas que, na realidade, possui um jogo de características especiais que parece explicar as condições que o apropriam à função marítima que lhe é atribuída “

Precisamente porque tem de oferecer às ondas a menor resistência para as galgar de pronto, mal assente na água, como descreve Raul Brandão, este barco conjuga o seu formato, semelhante a um crescente, com o sistema planiforme de fundo, pela falta de portos de abrigo, o acesso directamente para o mar e vice-versa, e suportar com mais facilidade, pela elevação pronunciada dos castelos da proa e da ré, a violência da pancada do mar, ou quebra das ondas, na manobra arriscada da travessia da faixa de rebentação geralmente forte, no litoral de areia que se delimita, a norte, nas primeiras rochas de Miramar e a sul, ultrapassando o Cabo Mondego, nas areias da praia de Vieira de Leiria.

Raul Brandão compara-o com o “feitio côncavo do espaço que vai de vaga a vaga “ – o seio da vaga acrescentamos nós.

O barco grande da xávega é, ainda hoje,  como sempre foi , construído por madeira de pinheiro, e tinha, nas construções em uso no meados do século XX,  16,5 metros de fora a fora, 4,2 metros de boca, 3,5 metros de largura máxima de fundo entre costados, e um pontal de 1,3 metros. Deslocava cerca de 15,5 toneladas, calava cerca de 1 metro e tinha um esqueleto de 27 cavernas.

O período de vida útil de um barco deste tipo era de cerca de 8 anos, desde que submetido a regulares tarefas de manutenção.

Desde os seus alvores, foi sempre um barco a remos, com grupos de 2 ou 4 remos. No primeiro caso, os remos chamam-se : o de vante, remo-maião; o outro remo-proa. Nos barcos de 4 remos, estes chamavam-se, de proa para a ré: remo-de-castelo-da-proa, remo-maião, remo-proa e remos-de-castelo-da-ré.

No caso dos barcos de 2 remos, a tripulação era de 34 homens e nos de 4 remos, 46 homens.

Actualmente a grande maioria, se não a totalidade dos barcos de mar, só tem 2 remos, usados nas manobras de largada e de chegada à praia.

São mais pequenos de porte e a sua propulsão, no lance da arte, é garantida por motores de 40 cavalos, enxertadas na rabada dos barcos.

Quanto à origem destes barcos únicos na nossa costa portuguesa, muito há que esclarecer.

O arqueólogo naval Lixa Filgueiras , à luz de conhecimentos mais recentes e profundos, divide o nosso país em duas zonas. E o que o divide é o Douro, afirmando que, a norte deste, se verificam influências primevas escandinavo/germânicas, nas embarcações de rio, e bretãs, nas embarcações da costa. Como exemplo acabado das primeiras, aponta o rabelo do Douro; e das segundas, a lancha da Póvoa, que aquele cientista compara, de forma evidente, com o sinagot bretão.

Para sul do Douro, e em toda a nossa costa, Lixa Filgueiras afirma que o saveiro, para ele o nosso barco de mar, é o tipo mais significativo e o vector principal da mais antiga influência mediterrânica.

Referindo-se a uma origem mesopotâmica, ele realça a identidade espantosas – técnica e formal – entre o nosso barco de mar e um barco da antiga cidade babilónica de UR, que ainda sobrevive no baixo Eufrates e que, pela rota comercial até Ugarit ( via Eufrates, Aleppo, Alalakah ?), terá chegado ao Mediterrâneo.

Avança, ainda, com evidências iconográficas; selos cretenses, pinturas da tumba de Hagia Triada e, possivelmente, os murais de Thera, que garantem a presença de barcos idênticos no mar Egeu, numa progressão progressão para Ocidente, devidamente documentada.

Mais procura alicerçar a sua tese,/…/ avançando com o problema da origem étnica das comunidades piscatórias, que praticam a xávega com o nosso barco de mar, fundamentando-se com as suas peculiaridades, na coincidência das áreas de distribuição destes barcos, com as principais áreas de refúgio dos povos do sul da Ibéria, depois da queda de Tartesso.

Tudo isto repondo, a questão em aberto da influência cretense na desaparecida Tartesso.

Não resisto a citar, recorrendo ao texto inglês de Lixa Filgueiras, já citado:

“Acredito que será muito mais gratificante rever a teria de Shulten quanto à origem cretense dos povoamentos pré-tartessianos do sul de Espanha, desde os primeiros passos da metalúrgica local, cerca de 2.700 AC, até à chegada, cerce de 1.100 AC, dos fenícios a Cádis, capital proposta por Schulten para Tartesso, período em que se verificaram importantes acontecimentos no zona do mar Egeu e que, por certo, se reflectiram na costa mediterrânica ibérica. Os selos cretenses com barcos de meia-lua, datados de cerca de 2.200/2000 AC coincidem com a emergência da talassocracia  cretense e subsequente estabelecimento do seu comércio nas praias peninsulares. A rota do estanho e da prata funcionou e é o arqueólogo Shulten, a quem se recorre mais uma vez, que afirma que há vasos, colares e braceletes encontrados no SE da península e que são de origem cretense; assim como adagas de cobre peninsulares datadas do III milénio AC foram também encontradas na ilha de Creta. Tudo isto mercê do tráfego dos barcos de meia-lua, antepassados dos saveiros, nossos barcos de mar.”

A frota em que assentava a talassocracia cretense, terá chegado a Tartesso, e daqui à nossa costa, como já veremos.

Recorrendo a Fernando de Almeida ( in Enciclopédia Verbo), Tartesso terá sido um lendário estado monárquico peninsular, que abrangia uma vasta área, que iria desde a actual Cartagena até à foz do Tejo e cuja capital , possivelmente do mesmo nome, se localizaria em Cádis ou Sevilha. Tartesso, manteve vastos contactos com os povos do oriente mediterrânico        , por força dos quais terá surgido uma escrita semi-silábica, de que são conhecidas inúmeras inscrições, encontradas no Algarve e no Alentejo.

Mercê das suas riquezas mineiras, manteve este reino contactos com fenícios, etruscos, cartagineses, gregos, celtas e romanos.

Tartesso entrou em decadência e sucessores do seu último rei, Theron, terão sido os turdetanos e, depois, os túrdulos.

E terá sido um grupo de túrdulos que, segundo Estrabão, acompanhou um bando de “célticos”, numa campanha em direcção ao norte da Península.

Conforme Matoso, terão sido os Túrdulos Velhos (Turduliveteres), citados por Mélia e Plínio, que ocuparam as regiões do Vouga e do Mondego, alastrando até junto do Tejo.

Entre as duas cidades, contavam-se entre outras Aeminium (Coimbra), Conímbriga e Talábriga.

A nossa Talábriga, topónimo formado por TALA+BRIGA, tendo o primeiro elemento, possivelmente, origem na língua tartéssica e que significa “barro”, “argila”; o segundo, “briga” é de origem céltica e quer dizer  “monte”.

Ora, Talábriga ficaria segundo o itinerário de Antonino, a 40.000 passos de Aeminium, (Coimbra) na estrada romana que iria desta até “Cale”,  hoje Gaia : mais ou menos a 59 km por norte de Coimbra, aqui mesmo, na Branca, ao lado de Albergaria, onde ainda se  vêem restos da via romana.

Concluindo-se, para incitar novas buscas; a dispersão das populações do sul peninsular, depois da queda de Tartesso, pode-se comparar com as rotas de unificação dos barcos de meia-lua, os nossos barcos-de-mar , que se orientaram, em primeiro lugar, para a nossa região e, depois, refluíram, por razões bem diferentes e em épocas bem posteriores, para as várias praias de areia da nossa costa ocidental e do Algarve.

Homens da xávega

A história da arte da xávega é, em larga medida, a história do povoamento das areias litorâneas portuguesas do Atlântico ocidental e algarvio, particularmente, no grande areal da costa norte de Espinho, até Vieira de Leiria, e, mais para baixo, na Costa da Caparica, Santo André e Monte Gordo.

Habitando em precários palheiros construídos na praia, ou, até, sob os seus próprios barcos, ao longo dos séculos, começando muita antes até da constituição da nossa nacionalidade, há provas do uso de redes lançadas desde terra e recolhidas, também, para terra, só à força de braços; com barcos e com a ajuda de braços e com juntas de bois, ou como, acontece hoje, com tractores.

Os discípulos de Jesus, pescadores da Galileia, praticaram esta pescaria. Assim como os fenícios, os gregos e os romanos; os árabes, os catalães, os franceses espanhóis e os andaluzes, também.

Contudo, as redes da xávega, tal como as descrevemos, terão sido trazidas para Portugal, por catalães, tanto do lado da França, como do lado de Espanha , que aperfeiçoaram a arte, nas águas mediterrânicas.

Nós estamos numa terra que se pode também considerar o centro da irradiação da xávega. Possivelmente, e já agora invocando Magalhães Lima, por causa da influência tartéssica. Por volta de 1925, Magalhães Lima, com efeito já sugeria que os pescadores de Ílhavo, uma das mais importantes comunidades piscatórias da Ria de Aveiro, descenderiam do povo de tartesso.

Mas falemos, agora e aqui, acima de tudo da pesca da nossa região.

No século XI, já se amanhavam marinhas de sal na nossa Ria. Ovar, Aveiro, Ílhavo, Vagos e Mira já tinham deixado de ser povoações bordejando o Atlântico, para passarem a ser terras da Ria.

No século XII, a nossa barra estava na Torreira e só séculos mais tarde é que a restinga de areia, crescendo do norte a empurra até Mira.

Os nossos pescadores são pescadores-camponeses e os palheiros da nossa costa só ao abrigam nos períodos da safra. .

No século XII, há provas de que já havia pescadores de Ovar a fazer pesca de mar, assim como em Buarcos, Lavos e Mira.

À medida que a barra avança para o sul, deixa de haver marinhas em Ovar; as espécies de água salgada começam a rarear na laguna e a sua pesca começa a emprobrecer.

Os homens de Cabanões, Ovar, no século XVI, começam a trabalhar no Furadouro, pois que era a praia mais próxima. Depois, avançam para a Torreira e São Jacinto. A capela de Nossa Senhora das Areias é anterior a 1549. Por essas alturas, usam o chinchorro, uma arte mais pequena que a xávega e cujo pescado mais significativo era a sardinha.

No século XVIII Aveiro não teria mais de 1.400 casas em ruinoso estado, e a população morria de fome e de febres.

Mas, antes, no século XVI, Aveiro, no seu apogeu, armava mais de 150 barcos para o comércio de sal e para a pesca do bacalhau e não há notícias de emigração de pescadores.

Já não era assim no século XVIII, século da miséria das nossas terras, com a Barra, praticamente, fechada.

Os Ílhavos fundam, em 1170, uma colónia na Caparica.

O século XIX é um período mau para a economia da ria. A barra está má e dá-se a migração dos nossos pescadores. Formam-se mais companhas ao longo da nossa costa; na Costa Nova, na Vagueira, no Areão; os palheiros de Mira começam a ser construídos por pescadores de Ílhavo, no princípio desse século; e, depois, surge a Tocha.

É um ílhavo de nome Barreto, que leva para a Cova, a sul do Mondego, em 1808, a sua companha. Um outro ílhavo, logo de seguida, funda a companha de Lavos. E um outro, seu neto, chega à Leirosa.

Na mesma levada é gente de Lavos e de Mira que começa a trabalhar com a xávega, em Pedrógão.

Em Vieira de Leiria, a xávega também surge no princípio do século XIX.

Nos meados do século, a Costa da Caparica surge como uma colónia de ílhavos e algarvios.

No virar para o século XX, há lá 10 companhas, com mais de 700 pessoas.

Depois é a Fonte da Telha, a Costa da Galé, a lagoa de Santo André, sempre com gente da mesma origem: Ílhavo.

Quando o mar não deixa, os pescadores de Ovar e de Aveiro, ficam-se por Cascais e, mias adentro no Tejo, nas águas de Vila-Franca: são os avieiros.

Mas, a verdade é que, no século XIX, as capturas feitas pelas companhas entre Espinho e Mira, representam, grosso-modo, 1/6 do total das pescas de Portugal.

Mais de 5.000 pessoas empregam-se em 90 companhas, que se espalham por 25 praias da nossa costa ocidental

Os barcos e as xávegas aumentam de tamanho e começam a ser utilizados bois na faina.

Uma campanha, que chegava a empregar 200 pessoas, entre tripulantes e pessoal de terra, com a utilização dos animais, passa para de 80 a 100, desde que começaram a ser utilizados bois na faina.

As redes chegam a atingir os 700 metros, com lanços que chegam também a afastar-se da costa 6 km, usando, em cada manga, cordão de alagem que atinge os 10 km.

Os barcos de mar chegam a medir de, fora-a-fora, 16 metros, e os de 4 remos levam a bordo 46 homens, aos remos e aos cambões.

Até meados do século XIX as companhas tinham uma natureza cooperativista, repartindo-se o resultado da pesca em quinhões, uma vez deduzidas as despesas.

Depois, surgem empresas dominadas pelos grandes proprietários, comerciantes e conserveiros, pois que o espírito de companha se perdeu, em consequência de abusos dos arrais, que tinham deixado de ser eleitos e começaram a aparecer como patrões. Os pescadores passam a assalariados, recebendo um salário em dinheiro – a soldada -, mais uma pequena caldeirada e algum vinho.

Com o relançamento da pesca longínqua e do arrasto costeiro, em meados do século XX, e primeiras décadas da sua segunda metade, as xávegas quase desaparecem.

Mas, na última dezena de anos (1986-1996), com a política de abate de navios, favorecida pela Comunidade Europeia, em consequência da implantação de zonas económicas exclusivas e de uma tentativa de fazer com que se adequem as capacidades de captura aos recursos piscícolas sobre-explorados, em águas de países terceiros, está-se a assistir ao renascer da arte da xávega na nossa costa e ao renascer das pescarias artesanais, não só no litoral como no interior da Ria. É que milhares de pescadores perderam, por causa destas mudanças, o seu emprego nas pescas industriais.

/……/

A xávega renasceu mas, nem por isso, deixa de ser uma arte perigosa, como sempre foi, economicamente, aleatória e nociva das maternidades. Por regra, o peixe capturado é de dimensões reduzidas. E os rendimentos dos pescadores são insatisfatórios, por insuficientes e não regulares

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