chamem o massa


 

massa

responde pelo alcunha de

massa

responde pela força dos

braços

responde pela entrega

ao mar

responde pelas nassas

de peixe cheias

que mais ninguém

não é um

são muitos nele

 

responde no recato

dos amigos

em momentos de alegria

tão natural como o mar que

o embala

cantando o fado

que fado carregou

e soube vencer

(torreira_companha do marco)

é carapau


o esventrar do seco

 

lentamente vai-se o saco esventrando.

o adivinhado brilho do peixe salta agora aos olhos ridentes

é carapau, é farto e de bom tamanho

a navalha corta o fio

o peixe estrebucha ainda

o sorriso espalha-se na companha

o peixe se fará pão

e o suor sentar-se-á à mesa

na partilha

( torreira_companha do marco)

xávega – o vazar do saco – abrir o saco


 

o abrir do saco

quando o saco vem cheio é uma festa, mas é uma festa de trabalho polvilhada de sal e escamas.

com este registo inicio uma série sobre o esvaziar do saco e todo o trabalho e esforço necessário espelhado nos movimentos congelados pela máquina.

o primeiro momento é o cortar da linha que fecha o saco.

(torreira_companha do marco)

as alcunhas e as gaivotas


cuco, turra e bia

na praia de mira, como em todas as praias e portos onde há pescadores, as alcunhas são o verdadeiro nome dos pescadores.
eis aqui 3: o turra, o bia e o cuco
é assim, nasce-se com a alcunha do pai,- da família –  dão-lhes no baptismo um apelido e na vida, frequentemente, conquistam a sua própria alcunha.
e a história repete-se sempre à beira mar.
(praia de mira – companha do zé monteiro)