Mês: Dezembro 2010
chamem o massa
responde pelo alcunha de
massa
responde pela força dos
braços
responde pela entrega
ao mar
responde pelas nassas
de peixe cheias
que mais ninguém
não é um
são muitos nele
responde no recato
dos amigos
em momentos de alegria
tão natural como o mar que
o embala
cantando o fado
que fado carregou
e soube vencer
(torreira_companha do marco)
jorge de sousa braga_num apartamento da rua santos pousada
é carapau
lentamente vai-se o saco esventrando.
o adivinhado brilho do peixe salta agora aos olhos ridentes
é carapau, é farto e de bom tamanho
a navalha corta o fio
o peixe estrebucha ainda
o sorriso espalha-se na companha
o peixe se fará pão
e o suor sentar-se-á à mesa
na partilha
( torreira_companha do marco)
ana gonçalves_amor maduro
espero
alexandre o’neil_a uma luz
xávega – o vazar do saco – abrir o saco
quando o saco vem cheio é uma festa, mas é uma festa de trabalho polvilhada de sal e escamas.
com este registo inicio uma série sobre o esvaziar do saco e todo o trabalho e esforço necessário espelhado nos movimentos congelados pela máquina.
o primeiro momento é o cortar da linha que fecha o saco.
(torreira_companha do marco)
as minhas palavras
as alcunhas e as gaivotas
na praia de mira, como em todas as praias e portos onde há pescadores, as alcunhas são o verdadeiro nome dos pescadores.
eis aqui 3: o turra, o bia e o cuco
é assim, nasce-se com a alcunha do pai,- da família – dão-lhes no baptismo um apelido e na vida, frequentemente, conquistam a sua própria alcunha.
e a história repete-se sempre à beira mar.
(praia de mira – companha do zé monteiro)




