quando o mar trabalha na torreira_antónio vasques


antónio vasques (falecido)

 

por mais que não queira
é para o mar que os meus olhos
correm

o fascínio das ondas
rebentando da areia
em gritos de agonia
sofrida de tanto mar andado

um barco que parte
outro que chega
as gentes
redes caixas cordas juntas
tudo isso se projecta
na tela imensa azul e verde

é este o meu mundo
feito de sol e vento
areia e mar

redes que remendo
sacos que fecho
à espera de os rasgar

 

(torreira, século XX)

 

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