afonso cruz na lápis de memórias_estórias (os vídeos)


 
 
afonso cruz

afonso cruz

 

 

vídeo 1

 

 

“7 de Abril

 

Não, disse o meu irmão.Quem põe ovos de chocolate são os coelhos da Páscoa, não são as galinhas de chocolate.

Evidentemente.

 

 

10 de Abril

 

No circo, ficamos a saber que os coelhos nascem de chapéus.

E não de ovos”

 

 

in “O Livro do Ano”

 

 

 

 

vídeo 2

 

 

do autor

 

 

“4 de Maio

Hoje, um homem aproximou-se de mim.Vestia fato e usava gravata, mas eu reconheci-o de imediato.

Era um homem do Instituto. Estava disfarçado de pessoa normal.

Perguntou-me as horas e eu disse: Tenho dois trovões dentro de um envelope dos correios. O da esquerda é de madeira e o do meio é fêmea.É assim que nascem as cartas.

Ele, surpreendido com a minha resposta, foi-se embora e não me internou.

Mas, por via das dúvidas, fui para casa com os sapatos calçados nas mãos”

 

 

in “O Livro do Ano”

 

 

 

 

vídeo 3

 

 

do autor

 

 

“5 de Julho

 

Tenho pena das pedras, sempre tão duras.

As pedras grandes gostam de aparecer em postais.

E as pedras pequenas gostam de aparecer em sapatos”

 

 

in “O Livro do Ano”

 

 

 

 

vídeo 4

 

 

do autor

 

 

“27 de Setembro

Caiu uma folha de um livro. Já é Outono
3 de Dezembro

O meu avô diz que a felicidade é uma péssima corredora e que é fácil fugirmos dela.

E a tristeza?, perguntei

É uma excelente corredora, respondeu ele”

 

 

in “O Livro do Ano”

 

 

voltar ao mar


 

mar de cavala onde uma salema

mar de cavala onde uma salema

chega o saco
à praia
esventram-no
mãos sábias

o peixe salta
vivo ainda
enchendo os homens
de escamas e sal

engana-se quem vê
pensando que quantidade
é pão

onde anda cavala
não há carapau
onde não há carapau
falta o pão

o suor
rendeu-se ao peso
o cansaço
não deu frutos
o mar não foi mãe

o pescador
sabe que ao ir o barco ao mar
só lhe resta esperar
e
ao mar voltar

afonso cruz na lápis de memórias (1)


ac laee

no dia 20 de março de 2013, o multifacetado criador afonso cruz esteve em coimbra, na lápis de memórias, para apresentar os seus mais recentes livros: “o livro do ano” e ” enciclopédia da estória universal_arquivos de dresner”.

Afonso Cruz

Nasceu, em Julho de 1971, na Figueira da Foz e haveria, anos mais tarde, de viajar por mais de 60 países. Frequentou a Escola António Arroio, a Faculdade de Belas-Artes de Lisboa e o Instituto Superior de Artes Plásticas da Madeira. Em 2008, publicou o seu primeiro romance, A Carne de Deus — Aventuras de Conrado Fortes e Lola Benites, ao qual se seguiria, em 2009, Enciclopédia da Estória Universal, galardoado com o Grande Prémio de Conto Camilo Castelo Branco. Em 2011, publicou Os Livros Que Devoraram o Meu Pai (Caminho, Prémio Literário Maria Rosa Colaço) e A Contradição Humana (Caminho, prémio Autores SPA/RTP). Em 2012, foi o autor português distinguido com o Prémio da União Europeia para a literatura pelo livro A Boneca de Kokoschka (Quetzal, 2010). Jesus Cristo Bebia Cerveja (Alfaguara, 2012) foi considerado o Livro Português do Ano pela revista Time Out Lisboa e o Melhor Livro do Ano segundo os leitores do jornal Público. Foi eleito, pelo jornal Expresso, como um dos 40 talentos que vão dar que falar no futuro. Os seus livros mais recentes são Enciclopédia da Estória Universal — Arquivos de Dresner eO Livro do Ano, ambos publicados pela Alfaguara, em 2013. Assina, desde fevereiro de 2013, uma crónica mensal no Jornal de Letras, sob o título Paralaxe.Além de escrever, é ilustrador, realizador de filmes de animação e membro da banda.The Soaked Lamb.

(fonte bookoffice)

 

do autor

 

Política

 

Os animais não falam.

Mas alguns deles discursam”

 

in Enciclopédia da Estória Universal, Arquivos de Dresner

 

 

10 de Maio

 

Estive a ver uma planta a furar a terra…

As plantas procuram a luz como as traças e os filósofos”

 

in O Livro do Ano

 

publica-se em seguida o primeiro de uma série de vídeos da apresentação

 

 

cirandar amêijoa na torreira


 

joão magina e cipriano brandão a cirandar

joão magina e cipriano brandão a cirandar

 

cirandar

este documentário encerra a série dedicada à apanha de amêijoa na ria de aveiro, nomeadamente no canal de ovar em frente à vila da torreira.

para a apanha, e recordando, são utilizadas duas artes- cabrita alta e cabrita baixa – e a vulgar apanha à mão ou com uma pequena ferramenta (garfo).

a primeira selecção dos bivalves – em tamanho e género – decorre das próprias cabritas, que são diferentes consoante se pretende apanhar berbigão se amêijoa (as utilizadas na apanha da ameijoa têm dentes maiores).

depois de apanhadas as amêijoas são depositadas no fundo da bateira. terminada a maré, é necessário lavar e fazer uma segunda escolha tendo em conta o tamanho pretendido pelo comprador. esta operação é feita utilizando uma ciranda (ver no vídeo as variantes), que não é mais que uma “peneira”, de forma rectangular, cujo fundo é formado por varetas de ferro ou aço inox (as mais modernas) que joeira as amêijoas. há-as de madeira e de metal, para serem operadas por duas pessoas e, mais recentemente, as que são feitas a partir de caixas de plástico de embalar fruta, a que é aplicado no fundo uma grelha de aço inox, e que podem ser manobradas por uma só pessoa.

convém dizer que não são baratas, são feitas por encomenda e que as distâncias entre as varetas dependem do tamanho mínimo das ameijoas pedido pelo comprador.

depois de cirandar os bivalves apanhados, é ainda necessário fazer uma escolha manual, por causa dos diferentes tipos de amêijoa que foram apanhados. os preços de venda e as encomendas reportam sempre a uma determinada variedade.

o processo termina com a deposição das amêijoas em sacos de 10 kg, fornecidos pelo comprador, que são entregues nas zonas acordadas, nos dias e às horas ditadas pelo comprador, que é quem define tudo, a começar pelo preço.

 

o vídeo

 

maria toscano_da viagem das casas_lançamento


da esq p/ a drt: rui grácio, maria toscano, domingos lobo

da esq p/ a drt: rui grácio, maria toscano, domingos lobo

no passado dia 14 de março de 2013, na casa da escrita, em coimbra, maria toscano apresentou o seu primeiro livro de prosa ” da viagem das casas”, aqui fica o registo da intervenção, brevíssima, da autora.

nota biográfica
maria de fátima costa toscano

nasceu em campo maior em maio de 1963. é membro da ape. autora de poesia e prosa, em português desde 1973, editada em espanhol desde 2003, escreve em francês e inglês desde 2011. 7 livros de poesia publicados, 1 e-book e integra várias colectâneas de poesia.

estudou música, teatro e canto. em lisboa e coimbra criou cafés-concerto. canta fado, jazz e música clássica. nos anos 90 cria leituras encenadas sem a 4ª parede e críticas das técnicas de declamação.

em 2009, participa no iii festival internacional de poesia (Brasil, Dois Córregos), onde é poeta estrangeira convidada.

em 2010 realiza uma visita à argentina para divulgar a sua poesia escrita em espanhol em várias sessões de leitura organizadas pela SAPE e Poetas Argentinos (Buenos Aires, Iguazú…)

……..

texto lido no lançamento do livro “ da viagem das casas”:

“6. sobrados, tectos, saias e desafios

como os conheço… a estes guardas fiscais da fronteira herdados da ditadura, brutos na cama porcos à mesa em copos de tinto sempre a postos e secos, como os conheço bem
andam a par como que a medo, azul na parte de cima, mão no bolso ou na anca ou na coxa sobre a arma
vêm ao longe, olham-me em vão (os meus traços não lhe dizem nada), circundam-me circundam circulam como se feras ou cio de cães
como vos sei da cabeça aos pés todos empinados em casa os filhos brutinhos as filhas freirinhas no vosso pavor de algum como vocês se lhes chegar para genro, filhas de porcelana nem chegam a ser meninas
como vos sei vos abomino e vos domino sem sequer vos tocar
muito empinados nas frustrações de ter lá em casa uma esposa gorducha e despenteada, que se há-de fazer, um homem precisa de ter uma mãe até morrer… como poderia viver com chão janelas sujos a roupa suja e amarrotada, quem lhe faria a comida a cama os filhos os mimos e os caldos e chás dos resfriados, quem, enfim, quem o cuidaria? acobardados na tranquilidade do lar de onde então fazem, descansados, as saidinhas rápidas, tudo sob controle que não sou parvo!
chego a duvidar se são homens ou cães bem treinados cães de guarda cães de cio cães herdeiros da ditadura, sim, cães de cio num inverno eterno nunca domado
cofias o bigode que te enquadra, ceifas a paciência pelos bolsos de mãos no fundo a remexer a mexer a meter-me nojo ou apenas dó da tua miséria de só seres homem de calças baixas à mão mas com peúgas, como lembra o Jorge de Sena”

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o vídeo

miguel miranda apresenta “a paixão de k” em coimbra


 

miguel miranda

miguel miranda

 

Nascido no Porto em 1956, exercendo as funções de médico em Vila Nova de Gaia, é autor de uma obra ficcional já vasta e premiada em Portugal, que começa a projectar-se no estrangeiro (em 2006, o romance Dois Urubus Pregados no Céu foi traduzido em Itália) e a merecer, com justiça, a atenção da melhor crítica literária.

Membro da Associação Portuguesa de Escritores, da Associação de Escritores de Gaia, da Associação de Jornalistas e Homens de Letras do Porto e do Pen Clube Português, Miguel Miranda revelou-se na década de 90 com a colectânea Contos à Moda do Porto (1996), vencedora do Grande Prémio do Conto 1996 da APE, a que se seguiu o romance O Estranho Caso do Cadáver Sorridente (1998), agraciado com o Prémio Caminho de Literatura Policial 1997, ambos depois da menos conhecida obra de estreia, O Complexo de Sotavento (1992). Representado no Dicionário de Personalidades Portuenses de Século XX,publicado pela Porto Capital da Cultura 2001, e no Dicionário Literatura Portuguesa no Mundo, de Célia Vieira e Isabel Rio Novo, incluído em várias colectâneas de contos, Miguel Miranda tem vindo a publicar regularmente. Assim, constam da bibliografia do Autor: Caçadores de Sonhos (1996); Bailado de Sombras (1997); Livrai-vos do Mal (1999); A Mulher que Usava o Gato Enrolado ao Pescoço (2000); A Maldição do Louva-a-Deus (2001);Dois Urubus Pregados no Céu (2002); Princesa Voadora (incursão na literatura infantil, 2003); Como se Fosse o Último (2004); O Silêncio das Carpideiras (2005) e O Rei do Volfrâmio (2008).

Nesta obra considerável, que percorre os mais diversos géneros narrativos, Miguel Miranda retrata quase sempre um universo urbano, povoado de personagens tão estranhas e inesperadas quanto familiares e credíveis.

 

obras do autor

 

 

….

 

http://www.portoeditora.pt/imprensa/noticia/ver/a-paixao-de-k-de-miguel-miranda?id=7342

 

A Paixão de K, de Miguel Miranda

 

Romance, caos e memória no novo livro do escritor portuense.

30.01.2013

 

A 4 de fevereiro, chega às livrarias nacionais o mais recente livro de Miguel Miranda, A Paixão de K, uma história de paixões, de encontros atribulados numa Londres incendiada por distúrbios, e das memórias que se apoderam dos que vivem longe da sua terra-natal. 


Num registo original, com humor e imaginação, Miguel Miranda leva-nos numa viagem envolvente que, desta vez, nos afasta da cidade do Porto, um dos cenários de eleição do autor.


Miguel Miranda celebrou recentemente os seus 20 anos de carreira literária e viu publicados dois dos seus livros em França pelas Editions de l’Aube. Um deles, 
Dai-lhes Senhor, o Eterno Repouso (2011), foi publicado pela Porto Editora, assim como Todas as Cores do Vento (2012).


O LIVRO


Além de perito em arte, Perfecto Cuadrado é um habilidoso falsário, que viaja pelo mundo desenhando rostos anónimos no metropolitano e colecionando mulheres belas e sedutoras. É um homem experimentado na arte de seduzir e de amar. Nada faria prever que se apaixonasse de forma eruptiva por uma mulher misteriosa com quem se cruzou no metro de Londres – Josephine K.


Para Perfecto Cuadrado, a vida é uma sucessão de planos, sendo o presente um refluxo do passado, excetuando dois acontecimentos súbitos: os distúrbios que incendeiam a cidade de Londres e a paixão que arde dentro dele.


A Paixão de K. é uma viagem à insensatez de todas as paixões.

 

o vídeo