mãos de fazer
conheço muitas
calejadas quase todas
vazias tantas
de nada poder agarrar
silenciosa a rede
corre por entre os dedos
reproduzindo um ritual de séculos
mãos de fazer
quase nunca
mãos de comer
(torreira; ria de aveiro; salvador belo)
os arinques são bóias amarradas aos calões e que servem para sinalizar o andamento do alar da rede. se paralelos ambos à linha da costa a rede vem direita e está a ser bem alada, se desalinhados é rede está a ser mal alada e o arrais coordena o andamento dos aladores, com sinais de boné, assobios ou por rádio, de forma a repor o paralelismo.
os arinques são soltos dos calões quando estes estão ao alcance dos camaradas de terra, por vezes, como neste caso, nem que seja preciso entrar um pouco por mar adentro.
torreira; companha do marco; 2010