porque ficaste na margem


joão manuel dias

joão manuel dias

o esgar vincado

na beleza deste rosto

fala de uma outra ria

da do sangue

que corre sobre as águas

e mergulha fundo

em busca do pão

 

o pão enterrado na lama

o pão que poucos amassam

que é dura

muita dura a faina

 

sempre que vires o nascer do sol

uma névoa a cobrir tudo

e tudo te surja carregado de beleza

postálica vendável em quiosques

popularizada em páginas de fotografia

lembra-te

 

lembra-te deste rosto

que não viste

porque ficaste na margem

(ria de aveiro; canal de ovar; torreira)