os moliceiros têm vela (18)


haja janelas

há um barco que nos espera para partir

há um barco que nos espera para partir

falo agora de um tempo cansado
curvado ao peso dos dias
o meu tempo
eu

é duro neste tempo onde o meu por dentro
olhar e ver
sentir
ser irmão do irmão
e irmão de ainda mais

solidão não é estar só
é estar mal acompanhado

falo de mim e digo
amanhã serei o mesmo
doa o que doer
a quem doer

haja janelas

não partas antes de mim

não partas antes de mim

(murtosa; regata do bico; 2007)