postais do arroz (1)

postais do arroz (1)


a memória do arroz
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pelo alinhamento das estacas o arroz vai sendo lançado

as marés é que mandam
e venho do mar
o arroz é que manda
e a faina outra
a do semear artesanal
da barca da bóia do saco
do voo do arroz
pela mão lançado à água
à terra alagada
ao berço
borda do campo
porto godinho
amieira
vinha da rainha
um pouco por aqui andei
colhi onde semeavam
semeio agora
a memória do arroz
a minha
(borda do campo; 2019)

a beleza do sal (59)


boa safra

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o sr. joaquim a “achegar” na salina do romão

as alterações climáticas já se fizeram sentir na extracção do sal, o ano passado, no salgado da figueira da foz.

as chuvas tardias, atrasaram a preparação dos talhos e mais tarde a própria extracção.
salinas houve que nem produziram.
o tempo este ano também não anda famoso, chuva tardia/sol/chuva. a semana passada estive nos armazéns de lavos e já havia quem começasse a encher os talhos, no dia a seguir choveu.
tivemos um fim de semana de muito calor e …. vai chover de novo.
esperemos que este ano os produtores tenham melhor sorte e o salgado cresça e se mantenha.
aqui fica um registo de 2017, em que o marnoto está a “achegar” o sal, assim o tempo se “achegue” também.
boa safra

 

 

mãos (5)

mãos (5)


(des)crença
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patrícia relvas (lavoisier)

 
acredito no produto
das mãos na obra
talvez memória um dia
 
o reencontro com
perdura enquanto
apenas enquanto
 
a eternidade o regresso
são hoje e agora
nada existe para além
 
um amigo trouxe-te
sem o saber
a este dia onde ainda
 
as tuas palavras
o teu rosto
as nossas conversas
foram de novo
 
nisso acreditávamos
acredito ainda
 
(lavoisier; cae; 2019)
escuta

escuta


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luis ferreira na peça “monólogo do diabo” de antónio tavares

escuta o vento
no fremir das folhas
das árvores nuas
 
entre luz e sombra
a fronteira é ténue
 
muitos sucumbem
ao peso da luz
e caem na sombra
 
nas árvores nuas
assobia o vento
por entre os ramos
 
ténue a fronteira
entre sombra e luz
 
(figueira da foz; 06 abril 2019)

para walmir chagas


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também eu não sei
que coisa é o homem
carlos
comungar esta ignorância
com um homem como você
é um privilégio
 
mas eu sinto
quando um homem
tem assunto
 
como se escreve no português
de vocês que eu vou usar aqui
 
eu senti que walmir tinha assunto
você devia ter conhecido walmir
carlos
 
você devia
mas você não conheceu
digo eu
e sobrou para mim
falar de walmir
 
olhe melhor pensando
deixemos que seja walmir
a falar de walmir
 
ele fala sem palavras
precisa ver
 
(sam; figueira da foz; 15 março 2019)