falo dos palhaços


tá quase

antes

muito antes de

o silêncio e

 

depois

a surpresa

os momentos abertos à luz

olhos de criança

todos

 

erro esse dizer:

assistência

todos somos actores

no acto

 

liberta a criança que há em ti

deixa que ela dê a mão

à gargalhada cristalina

pequenina a teu lado

sente como enorme

 

posso?


 

maravilha esta música

nas janelas escrita pela chuva

 

quando a água cai do céu

fico assim parada no tempo

de sentir tudo

vontade de mãos para além do vidro

onde a terra as chama

desejo de sentir no corpo

a escrita da chuva

nas poças de água

os pés a correrem sem mim

 

mãe

quando chove

apetece-me abrir a porta

e ir dançar ao som desta música

de água que o céu deixa cair

posso?

tu és o dia


quando as portas têm janelas

 
constrói os dias
enche-os de ti
tu és o dia
 
sente como o sol
nasce dentro de ti
há um sonho por realizar?
tenta hoje
pode ser o dia
 
sente como cada instante
é teu
não deixes que  to roubem
 
inventa janelas
onde portas
não serás o primeiro
é apenas a tua vez de
 
tu és o dia
assim o queiras
 
(granja do ulmeiro)
 

é tudo muito difuso


onde, tu?

é tudo muito difuso
estás e não estás
infinitamente pequeno
o seres
nestes movimentos parados
no tempo

luzes, árvores, grades
feéricos instantes retirados
do interior da memória

sobre os carris
o comboio espera o momento de
há uma máquina porém
que não pára
pensas sempre
vício de estar ainda vivo

é tudo muito difuso
tu próprio começas a desconhecer-te
não penses, não fales
existe e caminha em direcção
ao ser

 

(estação de caminho de ferro de coimbra a)