os velhos atravessam o tempo de memória com mão ágil lágrima grossa regressam os velhos caminham caranguejos lentos medusas de horas e anos os velhos ajoelham calos e varizes nas pedras gastas do passado os velhos contam histórias antigas sabedoria de séculos os velhos afagam as crianças macias as mãos grossas magras ossudas os velhos arrastam-se e caem cansadas as pernas fechados os olhos os velhos às vezes já estão mortos outras morrem ainda mais velhos os velhos vivem e recordam e não vivem e recordam ainda os velhos já foram por isso são
poesia
do além tejo
ser mulher no mar
josé luís peixoto lança “livro” na figueira da foz
do além tejo
poema do barco
é de água a minha terra terra o meu fim carcaça descansarei um dia na imensidão da areia com o tempo desfeito serei levado pelas marés ou queimado na fogueira entre água terra e fogo me cumpro ser barco é ter sido para voltar a ser
é de água a minha terra
terra o meu fim
“na hora de pôr a mesa” de josé luís peixoto
“caranguejola” de mário de sá-carneiro
das janelas e das portas
o sonho e a realidade em manuel bandeira






