sobre coimbra os olhos deitam-se e sonham o terem sido
o tempo passa os cartões mudam o negócio é parco simplex não é?
plantei uma flor no mar sentada a meu lado os teus olhos procuravam a flor e sorriram ao vê-la fulgir por entre as ondas deste-me então um beijo depois acordei e só me lembro deste sonho
sentada a teu lado dera-te o beijo aromatizado com a flor orvalhada pelas ondas que a embalaram nos teus sonhos depois acordaste e envolvi-te no perfume que deixei ao teu lado da flor que meu sorriso percorreu por entre as ondas para só te lembrares deste sonho
odeio a violência em qualquer geografia ou contra qualquer raça toda a guerra longe é um horror perto toda a guerra perto é um horror que quereria imaginar nunca europa ásia áfrica américa são a minha casa o meu povo habita todos os territórios eu sou as minhas palavras assumo os meus actos em tudo sou pequeno mas tenho orgulho do meu tamanho odeio as guerras e os seus senhores a força e o seu exercício despudorado os tacticistas e os oportunistas hoje putin ontem quantos amanhã quem onde não me indigno porque é no meu bairro mas no meu mundo são os meus irmãos entre o escrever o dizer e o estar onde tu (figueira da foz; 26/02/2022)
(porque hoje o zeca faz anos e nunca é demais repetir o que já escrevi em tempo)

amigo serás sempre maior que o pensamento tu que cantaste maio e foi numa madrugada de abril tu que foste a toupeira e cantaste o sol e nos levaste a agarrá-lo amigo serás sempre maior que o pensamento as tuas palavras a tua voz são ainda tu aqui agora sempre duas sílabas um nome um grito uma canção um protesto uma revolta um princípio uma alavanca um não desistir aqui agora sempre amigo serás sempre maior que o pensamento 30 anos depois não há depois há o futuro todo amigo serás sempre maior que o pensamento
no sal a memória do sol e do mar

estalam-me na cabeça os tufões medonhos do atlântico sul rebentam-me nos olhos as calemas de março o simoun enche-me a boca de areia e raiva lambem-me o sexo as chamas que no verão devoram pinhais e searas tremem-me as mãos sinto nos dedos os abalos de agadir mergulham ante meus olhos horrorizados todos os passageiros do titanic o amazonas corre-me nas veias ribombam-me no coração as cataratas do niagara os ouvidos rebentam-me com a pressão dos grandes rios a entrarem no mar o corpo arde na fogueira possesso de um demónio inventado pela inquisição todo eu tremo ante tanto desvario e tudo se conjuga no rodopiar do carrossel louco desta cabeça que não sei se é minha mas que pesa como se fosse o mundo