falemos de xávega


(praia de mira; 2009)

xávega etimologicamente tem raiz árabe: “xabaka”, que quer dizer “rede”

em termos genéricos é o que podemos chamar uma “arte de arrastar para terra”, tal como o “chinchorro”.

em 1774 é publicada em madrid a “memoria sobre la pesca de sardina en costas de galicia” de d. josef cornid saavedra, “regidor de la ciudad de santiago”.

nesta memória, cuja edição facsimilada me foi amavelmente oferecida pelo “museo do pobo galego”, é definida de forma clara a diferença entre as duas “artes de arrastar para terra”: chinchorro e xávega.

– chinchorro : rede de malha quadrangular, sempre com as mesmas dimensões e em forma de funil

– xávega : rede de malha quadrandular, composta por duas mangas e um saco. a malha tem maior dimensão junto ao calão e vai diminuindo até ao saco.

ou seja: é o formato da rede que caracteriza esta arte de pesca e não o barco, como alguns pretendem

a xávega noutras regiões do globo:

sul de itália : sciabica
catalunha: jabega
galiza: xabega

a caldeirada


(muito resumidamente)

quando em 1751, segundo a prof. inês amorim, a xávega chega a portugal, mais precisamente à costa do furadouro e torreira, já os pescadores da ria iam ao mar, à sardinha, com grandes chinchorros.

o fechamento da barra da ria, só reaberta em 1808, fez com que os pescadores da ria levassem as suas artes para o mar e nele lavrassem a sardinha que abundava.

com o aparecimento das traineiras e, mais tarde, com a utilização do cerco americano na pesca da sardinha, é feita uma “limpeza” na costa e as companhas passam por momentos de crise e reconfiguração. muitas desaparecem.

era então comum, e foi-o durante muito tempo, uma retribuição em espécie (peixe) aos pescadores – a caldeirada, quinhão, rapola, teca (no sul).

hoje em dia, nas companhas que restam, já não é a sardinha a fonte de riqueza, mas sim o carapau. a retribuição em espécie, como regra, desapareceu e o normal é os pescadores levarem para casa, para o almoço ou a janta, peixe de pouco valor comercial.

neste caso, o dono da companha, josé monteiro, resolveu distribuir uma caixa de carapau por todos os membros da companha.

assim, fizeram-se 18 montes, que se foram acertando até ficarem praticamente todos iguais.

(praia de mira, companha do zé monteiro; 2009)

ir ao mar

ir ao mar


 

de novo o barco se faz ao mar
sempre na busca do pão

entre gritos de alegria e medo
o barco avança de braços abertos

as águas abrem-se para o receber
a mãe não nega o filho
antes resiste e cede

a cena repete-se
o homem da máquina estava lá

um dia ambos desaparecerão
ficará só o mar

                                                                 

(praia de mira; 2009)