amo


 

apanha de ameijoa japónica na torreira

 

amo

o meu amor não é porém

explicitado em carícias ou volúpias

acolhidas no seio de palavras

metáforas ou onomatopeias

ansiedades frustrações e quejandos

sentimentos

 

numa linha apenas

encontrar as palavras certas

afiadas prontas a cortar rasgar

desentupir a cegueira de cinzentas

figuras gaspáricas e coélhicas

 

monstros de spielberg

provocatoriamente depositados

em país longínquo dele e tão nosso

para nos impingirem histórias

do maléfico autor fmi/merkel

parceria infalível em qualquer filme de terror

 

amo

a limpidez líquida do suor

que ganhou o pão

assim as minhas palavras

 

cabrita alta_o documentário


joão manuel brandão

limpo de todos
os artifícios
o homem surge
dos confins de si mesmo
no resgate do pão

entre o esgar de dor
e o sorriso
ele existe
no abraço da vida
no silêncio da ria

pisa a fronteira
de si

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com o documentário

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