falo dos dias que partem do tempo que voa da gaivota que sou cinzento tempo este
(torreira; cabrita de pé; 2011)
(torreira; 2007)
cumpriram-se os dias plenos de sal séculos escritos sobre as ondas um povo à beira mar se fez e aí cresceu aqui todo o destino tem sabor a espuma escamas recobrem os homens mulheres outras estas as que o mar fez restam poucos restam muitos restam os que são e sabem ser pescadores apanhados nas malhas de uma europa que não a sua afogar-se-ão ou não? quem se faz ao mar e o vence será que vai morrer a ver o mar crescer sem o poder galgar? falo de homens não de burocratas falo do nosso mar
quem vence o mar vence sempre
(torreira; 2011; o descanso da guerreira)
contas o tempo em máquinas e outros artefactos acaso pensaste no tempo de ser? quantas horas tem um minuto de dor? quantos meses um dia de fome? quantos anos um sorriso de uma criança? quantos séculos se inscrevem nos rostos crestados pela terra e o sal? são de gente os ponteiros do meu relógio diverso tempo este onde a morte espreita

conquistar os dias um a um vencer-se para vencer erguer-se falo de homens dos que muitos a bordo de barcos nasceram neles foram criados e homens se fizeram falo de moliceiros nome dos homens e dos barcos que ambos se confundem na labuta e no tempo conquistar o futuro sendo no presente esse o desígnio
(regata da ria; 2011)
unem-se os homens dão-se as mãos fazem-se nós limpa-se a sombra renasce-se o moliceiro é bandeira amor paixão modo de vida foi de memórias pleno mais que eles é todos os que antes o foram uniram-se os homens cuidem-se os que
o vento o norte pai dos dias quentes da costa ocidental nesse dia não se fez sentir lentos os barcos sulcaram a ria sem pressas de tempo como se dele não soubessem horas muitas quase noite quando a aveiro chegaram mal sabiam então que no ano seguinte seria noite logo pela manhã e a regata a regata seria negra que este é um país onde se enterram os vivos por ser mais fácil cuidar dos mortos chamam-lhe alguns cultura
(regata da ria; 2011)
em 2012 a regata seria cancelada “por falta de verbas”